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terça-feira, 20 de março de 2012

21 de Março - DIA MUNDIAL DA POESIA

Cartaz da Biblioteca da Escola Secundária de Amares

O Dia Mundial da Poesia celebra-se a 21 de Março.
Foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO, em 16 de Novembro de 1999.
O seu propósito é promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo.

domingo, 25 de dezembro de 2011

O PRESÉPIO, poesia de Maria da Fonseca

Próxima de dar à luz,
Maria foi a Belém.
Ali, ia recensear-se,
E com seu esposo também.

A hora do Nascimento,
Os dois, sabendo-a chegada,
Num ‘stábulo se abrigaram,
Por não acharem pousada.

E, quando o Bebé nasceu,
Em panos foi enfaixado,
E, com o maior carinho,
Na manjedoura, deitado.

A guardar os seus rebanhos,
‘Stavam no campo os pastores,
Quando uma luz resplendeu
Na noite, a causar temores.

Mas um anjo apareceu,
Que logo os tranquilizou:
- Trago-vos boas notícias, -
E assim lhes anunciou:

- Hoje, nasceu em Belém,
Quem o mundo vai salvar.
Muito perto da cidade
O podereis adorar.

Muitos anjos entoavam
Hosanas e Glória a Deus:
- A Paz seja em toda a terra,
A todos os filhos Seus.

Caminho fora, os pastores
Seguiram co’as ovelhinhas,
Tendo encontrado o Menino
Reclinado nas palhinhas.

A vaca mais o burrinho
O amimam, com seu calor.
Seus amantíssimos Pais
Veneram-No com fervor.

Logo, os pastores saíram
A espalhar a Boa Nova.
E dois mil anos volvidos,
Louvamos co’ a mesma trova:

“Glória a Deus nas alturas,
E na terra,
Paz aos homens por Ele amados”.



domingo, 30 de outubro de 2011

AS ÁRVORES E OS LIVROS, poesia de Jorge Sousa Braga


As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

Jorge Sousa Braga, Herbário (2002)
Assírio & Alvim 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

E SE EU LARGASSE O MEU OLHAR?, poesia de Ilona Bastos

Golfinho - imagem do site CANAL NATUREZA


E se eu largasse o meu olhar?
E se o deixasse percorrer o mar imenso,
Lançar-se, livre, no céu infinito,
Cavalgar pela planície, até ao horizonte?
...

E se o meu olhar tudo abarcasse
(A humanidade, a fauna, a flora!)
E nele guardasse toda a criação?
...

E se o meu olhar fosse microscópico
E distinguisse o grão, a gota, a bactéria?
..

E se o meu olhar fosse macroscópico,
E nele coubessem todas as estrelas e as galáxias?
..

E se visse o invisível e, para si, as ondas
Os aromas e os sons mostrassem cores
E formas dos outros desconhecidas?
..

E se eu seguisse o meu olhar, e com ele...
..

Nadasse os oceanos, tal um golfinho,
Voasse pelo azul, como gaivota,
Ganhasse velocidade sobre a pradaria?
(Cavalo selvagem, outrora detido, agora liberto…)
..

E se tudo soubesse do que via
E a razão de tudo se revelasse?
..

E se atingisse a molécula, o átomo, o quark,
A mais ínfima partícula, e entendesse
Afinal, do que é construído o Universo?
..

E se o meu olhar e eu fossemos o mais longe
que é possível ir, e regressássemos o mais depressa
que é possível vir, para contar?
..

Que encontraríamos e saberíamos,
Que contaríamos, eu e o meu olhar?
 
 
 
 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O MOSTRENGO, poesia de Fernando Pessoa

David de Almeida, O Mostrengo, painel em pedra gravada, Escola EB 2,3/S de Oliveira de Frades



O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»
 
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei D. João Segundo!»
 
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
D' El-rei D. João Segundo!»

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

FIM DE AGOSTO, poesia de Maria da Fonseca



Fim de Agosto, fim de férias,
Todos regressam contentes,
Seus hábitos, seus trabalhos,
Reencontros sorridentes.

Na mudança de ambiente,
Houve tempo pr'a pensar.
Numa ânsia de progresso,
A ideia é melhorar.

E sentem-se mais saudáveis,
Com o espírito liberto.
Os projectos variados
Têm seu momento certo.

Os alunos vão pr'a escola,
Com postura impecável.
Os pais muito recomendam,
Mostra de amor incansável.

Surgirá nova matéria,
Que é preciso aprender.
Mas são muito curiosos,
E amigos de mais saber.

Mais um ano escolar,
Um ano da vossa vida,
Com desafios e surpresas,
Esperança renascida.

E tudo correrá bem,
Com vontade e simpatia,
Daqueles que vos ensinam
A vencer no dia a dia.

Será grande o vosso esforço,
E o de todos os demais.
Mas o ano será cumprido,
Por favor não vos temais.

Uma vez chegado ao fim,
Mostraram ser animosos.
Provas dadas de que são
Cumpridores e generosos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

PALAVRAS EM FLOR, poesia de Ilona Bastos

The Chelsea Gardener - Frances Broomfield


Percorro as linhas do meu texto
Como o jardineiro se passeia
Entre os canteiros do seu jardim.

Trato as palavras como se fossem flores.
Se estão murchas, dou-lhes sentido,
Arranco-as sem dó, se são daninhas,
Semeio virgulas com inglória hesitação,
Enterro pontos e vírgulas, pontos finais,
Como estacas a amparar trepadeiras
Orações em crescente entusiasmo.
Caminho serena, ou correndo, vezes inúmeras,
Apreciando o efeito, a cor, a luz, a conclusão.
Volto insistente, buscando gralhas, que as sinto lá
E encontro-as, matreiras, palradoras, bicos em riste
Xô! Fora daqui! Sou espantalho assustador!

O texto é o meu jardim, meu verde campo,
Minhas palavras são minhas dilectas flores.

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Celebra-se, hoje, dia 21 de Março, o Dia Mundial da Poesia.
Este dia foi criado, na XXX Conferência Geral da Unesco, em 16 de Novembro de 1999, com a finalidade de promover a leitura, a escrita,a publicação e o ensino da poesia através do mundo.