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terça-feira, 4 de junho de 2013

QUADRAS DE SANTO ANTÓNIO, quadras de Ilona Bastos



  QUADRAS DE SANTO ANTÓNIO


Sant'António, meu santinho,
Devoção que guardo e prezo,
Traz-me paz, amor, carinho,
Por um namorado eu rezo.

Pr'a casar eu já estou pronta,
E um belo enxoval juntei.
No meu coração desponta
O amor com que sonhei.

Inteligente, atrevido,
Belo e jovem, sorridente.
Se p'ra dançar o convido,
Me dá um beijo, contente.

Nestas noites da cidade
Vou brindar ao meu amor,
Às marchas, à amizade,
P'los pátios em festa e flor.


domingo, 19 de maio de 2013

AMIGO, poesia de Ilona Bastos


Imagem do Blogue "Jardim Secreto do Pai"  http://jaquebalbys.blogspot.pt/2011/07/minha-definicao-de-amigo.html

Amigo


Tens de conhecer o meu amigo.
O seu sorriso é como um raio de sol da manhã
que me aquece o coração e ilumina o espírito.

Diz olá com os olhos a brilhar, quando me vê.
E pergunta: Então como estás, meu amigo?

Se estou alegre, ri-se e o mundo à nossa volta torna-se azul.
Sinto-me pássaro, voando em bando, planando livre
pela praia e sobre o mar.

Se estou triste, fala com carinho.
O seu olhar inteligente afasta as nuvens negras.
Os problemas e a dor tornam-se vagos e distantes.
E damos connosco a caminhar sem medo
por uma planície verde e tranquila.

O meu amigo irradia luz e bondade
e o som das suas palavras enche-me de alegria.

Queria tanto ser, também, um amigo assim!


Ilona Bastos

 

"Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença, sem se sentir melhor e mais feliz."

 
Madre Teresa de Calcutá

 

 

 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O RESTAURANTE DO JOAQUIM - 3ª Parte, história de Ilona Bastos


Pintura de Nicholas Roerich




- Pai, vou fazer uma expedição ao Himalaia. Quero subir ao Evereste, a montanha mais alta do mundo.

E o pai apenas suspirou, sob o olhar compreensivo da mãe.

Nos dias que se seguiram, empenharam-se todos três nos preparativos da viagem, que eram, naturalmente, complicados. Os montes Himalaia ficam muito longe, na Ásia, e, além disso, havia que obter os equipamentos próprios para a escalada, tendo em atenção as baixíssimas temperaturas que se fazem sentir nas grandes altitudes. Isto de subir ao Evereste, o mais alto cume do globo, era façanha de monta. Todos os pormenores deveriam ser cuidadosamente estudados.

Finalmente, chegou o dia da partida. E os pais despediram-se do seu filho que, determinado, largou em busca do topo do mundo.

 Depois, chegaram as notícias espaçadas, como era habitual: de como a subida fora difícil, mas bela; da descrição dos acampamentos onde a neve e o gelo surgiam como únicas companhias; do momento espantoso em que, num esforço final, asteara a bandeira verde-rubra no pico mais alto; da descida íngreme e escarpada; da estadia num convento budista, em retiro espiritual.

E muitos meses depois, longo tempo passado, o Joaquim regressou. Como de costume, vinha calmo e compenetrado, aceitando com tranquilidade o acolhimento entusiástico de que era alvo.

O restaurante embandeirara-se para o receber, e estava completamente cheio. Famílias inteiras tinham viajado de todo o país, em camionetas, de automóvel ou de comboio, só para o avistarem. As crianças ansiavam por um autógrafo do seu herói. Os adultos admiravam a sua bravura.

Os corredores achavam-se apinhados, e nas salas de refeição todos os cantos haviam sido aproveitados. Não havia lugar nem para mais uma pessoa. Todos queriam vê-lo e felicitá-lo. Aguardavam, com expectativa, que o Joaquim desvendasse os seus projectos!

O pai e a mãe, reconfortados pela presença do filho, não cabiam em si de contentes, e desejavam saborear a sua estadia junto deles. É claro que sabiam que o Joaquim ficaria por pouco tempo, como usava fazer, pois já devia ter mais planos para o futuro.




Desta vez, foi ele quem chamou o assunto.
Sentado à mesa do pequeno almoço, com a mãe e o pai, o Joaquim anunciou:

  - Pais, gostei muito da vida que levei até agora e de todas as viagens que fiz. Sonhei ir o mais longe que é possível ir, e viajei até Marte. Desejei conhecer todo o planeta em que vivemos, e visitei cada um dos seus oceanos e continentes.  Quis subir até ao cume mais elevado da Terra, e realizei a escalada. Contudo, percebi que me falta alguma coisa, algo de muito importante, que me é mesmo essencial. Por isso, vou mudar de vida.

- Sim, filho?! - exclamaram os pais, expectantes.

- Vou tomar conta do restaurante e assentar. Preciso de um lar e da vossa companhia.   

Escusado será narrar a alegria daquele casal que tanto amava o seu filho e para ele desejava o melhor!

Como decidira, o Joaquim assentou. Casou lá na terra, teve filhos, acompanhou os pais e tomou conta do restaurante.

O Restaurante do Joaquim tornou-se, afinal, no restaurante mais famoso do planeta, por pertencer ao Joaquim - o homem que pisou Marte, navegou sozinho à volta da Terra, e subiu ao cume mais alto do globo.

Feliz, com os filhos pequeninos nos braços, o Joaquim conta-lhes, por vezes, as suas aventuras. E exorta-os a tomarem conta do restaurante.
Amanhã, pela manhã, já está combinado, o Joaquim vai começar a ensinar os meninos a nadar!


sábado, 17 de março de 2012

GRANDE HISTÓRIA, conferência de David Christian (TED)


Caso não consiga ver o vídeo correctamente e com legendas em português, poderá vê-lo AQUI

David Christian: Grande História 

Trad. Ilona Bastos

Apoiado por belíssimas ilustrações, David Christian narra a história completa do Universo, desde o Big Bang até à Internet, em 18 minutos fascinantes. Esta é a "Grande História": um olhar esclarecedor e abrangente sobre a complexidade, a vida e a humanidade, em contraponto com a nosso fino quinhão no cronograma cósmico.

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O RESTAURANTE DO JOAQUIM - 2ª Parte, história de Ilona Bastos

 ilustração de Ilona Bastos

Espantados e um pouco desiludidos, os pais do Joaquim mandaram-no para a América, e na NASA foi bem recebido e apreciado o seu trabalho.

Tendo-se tornado necessário reunir uma equipa para descer no planeta Marte, o Joaquim foi nela incluído. Passou por um treino rigoroso e preparou-se até naquelas câmaras que simulam a inexistência de gravidade, onde tudo anda solto pelo ar, dando cambalhotas e reviravoltas: pilotos, esferográficas e papéis!

Pois foi tal o empenho do Joaquim que o escolheram para ser o primeiro homem a pisar Marte. Que grande alegria sentiram os seus pais ao verem o filho, pela televisão, a caminhar no planeta vermelho!

De regresso à Terra, o Joaquim visitou a casa paterna. E o pai, esperançoso, sondou-o:
 - Agora que foste a Marte, o que queres fazer, Joaquim?

O rapaz não hesitou:
- Não desejo mais ser astronauta. Já fui a Marte, e não está prevista a visita a nenhum outro planeta nos próximos anos. Por isso, se continuar na NASA não mais viajarei. Tenho que mudar de vida.

O pai arriscou:
 - Queres, então, tomar conta do restaurante?

O Joaquim sorriu e colocou-lhe a mão sobre o ombro.
- Pai, se não posso ir para o espaço e para as estrelas, como desejava, tenho que conhecer o meu planeta. Quero dar a volta ao mundo.

E os pais lá ajudaram o Joaquim a preparar um barco, pequeno mas sólido, que lhe permitisse navegar os cinco grandes oceanos: o Glacial-Árctico, o Glacial-Antárctico, o Atlântico, o Pacífico e o Índico. A embarcação teria que resistir à fúria dos temporais e às zonas de calmaria em que o vento se recusaria a soprar. O Joaquim iria suportar a solidão, as noites ao leme, sem dormir, o braço de ferro com a imensidão das águas.

Os mantimentos, já se vê, foram fornecidos pelo restaurante. E, assim, completamente equipado, partiu o Joaquim para a viagem à volta do mundo.

Passaram-se os dias, as semanas, os meses, e de quando em quando ouviam-se notícias da odisseia: que o Joaquim aportara numa ilha e contactara os seus habitantes, pertencentes a uma civilização antiga e praticamente desconhecida; que chegara a Nova York e na Grande Maçã fora recebido pelo mayor com enorme pompa e circunstância; que salvara uma tribo de beduínos, junto à costa de África, numa aventura sem igual; que assistira à erupção de um vulcão e ao nascimento de novas ilhas; que, lá para o sul, sobrevivera a um maremoto; que, no oriente, se alimentara de exóticas iguarias, completamente estranhas aos habituais petiscos fornecidos pelo seu pai.

O pai que, evidentemente, ia gerindo e desenvolvendo o restaurante do Joaquim, com enorme zelo e empenho. 

Um ano volvido, regressou o filho pródigo. Que grande entusiasmo para os pais, amigos e conhecidos! Conhecidos que cada vez eram mais, dada a ampla cobertura que os jornais, a televisão e a rádio davam às proezas do Joaquim.

Que expectativa para o pai, que desse filho já tudo esperava!
- Então, meu rapaz, o que tencionas fazer? - perguntou-lhe, quando os festejos terminaram.

O Joaquim manteve o ar sério e impassível de sempre.
- Pai, vou fazer uma expedição ao Himalaia. Quero subir ao Evereste, a montanha mais alta do mundo.


CONTINUA

terça-feira, 11 de outubro de 2011

E SE EU LARGASSE O MEU OLHAR?, poesia de Ilona Bastos

Golfinho - imagem do site CANAL NATUREZA


E se eu largasse o meu olhar?
E se o deixasse percorrer o mar imenso,
Lançar-se, livre, no céu infinito,
Cavalgar pela planície, até ao horizonte?
...

E se o meu olhar tudo abarcasse
(A humanidade, a fauna, a flora!)
E nele guardasse toda a criação?
...

E se o meu olhar fosse microscópico
E distinguisse o grão, a gota, a bactéria?
..

E se o meu olhar fosse macroscópico,
E nele coubessem todas as estrelas e as galáxias?
..

E se visse o invisível e, para si, as ondas
Os aromas e os sons mostrassem cores
E formas dos outros desconhecidas?
..

E se eu seguisse o meu olhar, e com ele...
..

Nadasse os oceanos, tal um golfinho,
Voasse pelo azul, como gaivota,
Ganhasse velocidade sobre a pradaria?
(Cavalo selvagem, outrora detido, agora liberto…)
..

E se tudo soubesse do que via
E a razão de tudo se revelasse?
..

E se atingisse a molécula, o átomo, o quark,
A mais ínfima partícula, e entendesse
Afinal, do que é construído o Universo?
..

E se o meu olhar e eu fossemos o mais longe
que é possível ir, e regressássemos o mais depressa
que é possível vir, para contar?
..

Que encontraríamos e saberíamos,
Que contaríamos, eu e o meu olhar?
 
 
 
 

sábado, 1 de outubro de 2011

Dia Mundial da Música - 1 de Outubro

MÚSICA


Com esta música não descanso, danço.
Solto meus passos, saio de mim.
Sigo compassos e vou assim,
voam meus braços, prazer sem fim.

Ilona Bastos
  



O primeiro Dia Internacional da Música, organizado pelo Conselho Internacional da Música, aconteceu no dia 1 de Outubro de 1975, de acordo com uma resolução tomada na 15 ª Assembleia Geral, em Lausanne, em 1973.
 
 A intenção deste dia é promover:

    a arte musical, em todos os sectores da sociedade;

    a aplicação dos ideais da UNESCO de paz e amizade entre os povos, da evolução das suas culturas, da troca de experiências e da valorização mútua dos seus valores estéticos;

as actividades do Conselho Internacional da Música, das organizações internacionais que dele sejam membros e dos comités nacionais, bem como a sua política programática em geral.
     

sábado, 3 de setembro de 2011

O RESTAURANTE DO JOAQUIM - 1ª Parte, história de Ilona Bastos

Ilustração de Ilona Bastos
Era uma vez um casal que teve um filho. E, porque o amava muito e achou o nome bonito, baptizou-o de Joaquim.

Para garantir-lhe o futuro, decidiu o pai construir um restaurante - pedra sobre pedra, bem ligadas com cimento. A cobrir, colocou-lhe um vistoso telhado de argila vermelha, e, por dentro, amplas mesas e toalhas brancas. Assim era o Restaurante do Joaquim.

No primeiro aniversário do filho, levou-o o pai ao restaurante, ansioso por assistir à alegria infantil da criança perante o luzir dos talheres sobre as mesas e o brilhar dos copos sob a luz dos candeeiros.

Porém, a verdade é que o menino pouca piada achou àquilo tudo, mais entretido que estava em puxar ao pai as suíças e os bigodes. Mas o pai, enternecido, não se cansava de dizer:
- É o teu futuro, Joaquim, o teu restaurante.

O Joaquim cresceu cheio de vida e curiosidade por tudo o que o rodeava. E cedo manifestou o desejo de aprender a nadar. Logo os pais providenciaram para que o fizesse, e o rapaz depressa se tornou sério candidato a campeão.
Ilustração de Ilona Bastos

Na escola, o Joaquim mostrava-se bom aluno, sabia as lições, e com interesse aprendia tudo o que os professores ensinavam.

Entusiasmado, o pai ansiava pelo dia em que o Joaquim, terminados os estudos, tomasse conta do seu restaurante.

O restaurante que, diga-se de passagem, ocupava todos os tempos do pai de Joaquim, que dele cuidava com esmero, aperfeiçoando cada prato, cada iguaria, cada detalhe, reunindo dessa forma uma fiel clientela.

Mas o Joaquim parecia ter planos diferentes, e desejava continuar a estudar. Surgiu-lhe a ideia de que, se se movia na água, devia mover-se no ar. Queria aprender a pilotar aviões.

E os pais tudo fizeram para que o Joaquim se matriculasse na adequada escola e tirasse o seu brevê.

Que cuidados, que orgulho, os daqueles pais! O seu filho só lhes dava alegrias! E para que tudo ficasse bem, só faltava que o Joaquim se dedicasse ao restaurante.

No dia do exame final, quando, fardado, empunhava o diploma, o pai falou-lhe no assunto, mas o Joaquim, muito sério, confidenciou:

- Pai, tudo isto tem sido muito interessante, mas na verdade eu quero é ser astronauta. Quero ir para a América, trabalhar na NASA e viajar pelo espaço.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A PRAIA, quadras de Ilona Bastos

Praia da Vieira, de Sílvia Patrício


Voam pipa, disco,  bola,
Espuma branca, onda do mar.
Rente à areia macia,
Passa a gaivota, a planar.

Um papagaio descola,
Pula o menino, a brincar.
Ao vento, em doce carícia,
 Vela de barco a vogar.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

DIA DE SANTO ANTÓNIO, quadra de Ilona Bastos


Santo António milagreiro
Roga por nós ao Senhor
Que nos traga mais dinheiro,
Fé, saúde, paz e amor.

domingo, 22 de maio de 2011

UM RELÓGIO FIXE, história de Ilona Bastos




Num domingo, ao almoço, sem esperar, o Tiago recebeu do avô um magnífico relógio.

- Repara! - disse-lhe o avô. - O relógio tem luz no mostrador, todas as horas estão marcadas com algarismos, é à prova de água e funciona a pilhas, por isso não precisas de lhe dar corda...

- Fixe! - exclamou o menino, maravilhado. – Muito obrigado, avô. Vou andar sempre com ele.

E assim fez. O menino colocou o relógio no pulso, empoleirou-se ao colo da mãe para que lhe relembrasse a leitura das horas, e a partir desse dia não mais largou o relógio.

Na escola foi um sucesso, naturalmente, pois de todos os relógios presentes - que nos braços das crianças cronometravam mil e uma tropelias - o relógio do Tiago era o mais fantástico, o mais moderno, enfim, o mais fixe... Nunca se atrasava, nem adiantava. E ao menino não dava trabalho algum, pois nem de corda o relógio precisava, sempre enérgico, sempre dinâmico, sempre pontual!

E, também, assim, o Tiago passou a ser o aluno mais pontual da sua sala!
 
Ora acontece que numa noite, encontrando-se o menino a dormir, começou o relógio a sentir-se indisposto: eram os braços doridos - isto é, os ponteiros sem força; era uma forte dor de cabeça - ou seja, o mecanismo a fraquejar; eram umas tonturas tais que o ponteiro dos segundos - aquele mais veloz e mais traquinas, com uma energia ímpar - dava um passo à frente e outro atrás, sem saber se avançar se recuar.

O relógio ainda tentou chamar a atenção do menino, soltando pics e tics e tucs - o que nele não era nada habitual.

Mas o Tiago não acordou, voltou-se para o outro lado e continuou a sonhar.
       
De manhã é que foi a decepção, quando o menino percebeu que o relógio parara. Já  o sol ia alto, inundando de luz toda a casa, e os ponteiros marcavam as três horas da madrugada, como se ainda fosse noite e as estrelas cintilassem no céu.

- O relógio não funciona! O relógio está doente! - gritou o Tiago, aflito.

O pai e a mãe correram para ver o que se passava, e observaram atentamente o mostrador. O pai aproximou o relógio do ouvido, verificou os botões da luz e de acertar os ponteiros, e abanou a cabeça, muito sério.

- É grave? - perguntou o menino, ansioso.

- Está muito fraco. - diagnosticou o pai. - Precisa de alimento.

- Alimento?! - exclamou o menino, aliviado. - Se é só isso, resolve-se já!

E, de um pulo, correu em direcção à cozinha.

Do quarto, os pais ouviram-no espreitar o frigorífico, bater as portas dos armários, abrir e fechar gavetas, mexer em loiças e talheres. Daí a pouco, o Tiago regressava, vitorioso.

- Cá está! Leite com cereais! – anunciou. - O alimento próprio para um relógio fixe!
Os pais caíram na gargalhada e a mãe, sem parar de rir, dirigiu-se à escrivaninha do escritório, trazendo uma peça pequenina e prateada, semelhante a um botão, que entregou ao pai.

- Não estou a perceber a razão de tanta risota... - disse o garoto, meio queixoso, meio divertido.

- É que o alimento do relógio é esta pilha. - esclareceu o pai. – Vou colocá-la aqui e o relógio fica como novo...

- Ou seja, volta a ser um relógio fixe - concluiu o menino.

- Exactamente! - aprovou a mãe. - Mas agora que o relógio já está em forma, precisamos de dar alimento, também, a um miúdo fixe...

- Pilhas! - gritou o Tiago, maroto.
       
- Errado! - corrigiram os pais, risonhos. - Leite com cereais!


segunda-feira, 21 de março de 2011

PALAVRAS EM FLOR, poesia de Ilona Bastos

The Chelsea Gardener - Frances Broomfield


Percorro as linhas do meu texto
Como o jardineiro se passeia
Entre os canteiros do seu jardim.

Trato as palavras como se fossem flores.
Se estão murchas, dou-lhes sentido,
Arranco-as sem dó, se são daninhas,
Semeio virgulas com inglória hesitação,
Enterro pontos e vírgulas, pontos finais,
Como estacas a amparar trepadeiras
Orações em crescente entusiasmo.
Caminho serena, ou correndo, vezes inúmeras,
Apreciando o efeito, a cor, a luz, a conclusão.
Volto insistente, buscando gralhas, que as sinto lá
E encontro-as, matreiras, palradoras, bicos em riste
Xô! Fora daqui! Sou espantalho assustador!

O texto é o meu jardim, meu verde campo,
Minhas palavras são minhas dilectas flores.

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Celebra-se, hoje, dia 21 de Março, o Dia Mundial da Poesia.
Este dia foi criado, na XXX Conferência Geral da Unesco, em 16 de Novembro de 1999, com a finalidade de promover a leitura, a escrita,a publicação e o ensino da poesia através do mundo.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O ASSALTO, história de Ilona Bastos


O pai Francisco levantou-se do sofá e bocejou.
- Bom, está na hora de irmos para a cama - disse ele. - Estou cheio de sono.
A filha mais velha, a Luiza, olhou para a irmã, Ana, e fez uma careta.
-Não! – protestou. – Ainda é tão cedo!
A mãe olhou para o relógio e concordou com o marido:
- Temos mesmo de ir dormir, meninas, para amanhã nos levantarmos bem dispostos e podermos gozar o Carnaval.
Com ar ensonado, o pai desligou a televisão. E a mãe foi fechar a porta da rua, dando três ruidosas voltas à chave. As filhas seguiam, aflitas, os seus movimentos.
- Não podemos ir já para a cama - insistiu a Ana.
- Mas, porquê? - surpreendeu-se a mãe. E as meninas entreolharam-se, nervosamente.
Lembravam-se das recomendações da avó Adelina, que lhes pedira para guardarem bem o segredo e não estragarem a surpresa.
- Já são onze horas - disse a mãe. - Não compreendo a vossa insistência...
- É uma surpresa... - murmurou a Luiza, sem se conter.
Antes que a mãe pudesse fazer alguma pergunta sobre o assunto, soaram fortes campainhadas por toda a casa.
- Quem poderá ser agora? - perguntou o pai.
A Luiza e a Ana saltitaram, alegremente.
- Vamos abrir! Vamos abrir! É a surpresa!
Aberta a porta da rua, apresentou-se, à entrada, um palhaço, que cumprimentou a família:
- Boas noites a todos! Isto é um assalto!

A mãe Isabel reconheceu de imediato a voz simpática e a figura elegante da avó Adelina, que tirou a máscara, sorrindo, e deu-lhe um abraço.
- Que grande surpresa! - exclamou.
- É um assalto! - explicou a avó Adelina, alegremente. - Avancemos para a cozinha!
E, seguida por um grupo de entusiastas foliões, mascarados de trapalhões, damas antigas, índios e cowboys, invadiu a cozinha, aí depositando embrulhos, caixas e sacos, enquanto os mais pequenos se espalhavam pela casa, atirando serpentinas e papelinhos.
Rapidamente, o pai Francisco colocou no gira-discos uma música brasileira de Carnaval, convidando à dança. Acendeu todas as lâmpadas do candeeiro da sala e, com a ajuda das filhas, afastou a mesa para um canto e enrolou a carpete.
Preparava-se um esplêndido baile de Carnaval!
- Meninas, então as vossas fantasias? - perguntou a avó Adelina.
As netas correram ao quarto para vestirem as suas máscaras. A Ana transformou-se numa cigana, com um longo vestido rodado, bordado com missangas e lantejoulas. Enfeitou o cabelo com uma rosa vermelha, que lhe tornou as faces mais rosadas. A Luiza tornou-se numa bela nazarena, com as suas sete saias, o lindo avental bordado, o chapéu preto e o lenço. Os seus olhos brilhavam de alegria, quando se olhou no espelho.


Regressadas à sala, encontraram a mesa posta e coberta de doces e guloseimas. Havia bebidas, sanduiches, croquetes, rissóis e umas empadas com um aspecto delicioso.
Ao centro da mesa, apetitoso, fora colocado um belo semi-frio de natas e chocolate.
Todos conversavam, satisfeitos, desvendando aos donos da casa os planos do assalto e a identidade dos mascarados.
O pai Francisco ria-se como não fazia há muito: quem diria que aquela estranha criatura de duas caras era afinal o primo António, sempre tão sisudo! E quem poderia supor que a Dona Arminda, amiga da avó Adelina, habitualmente tão recatada, dançaria tão entusiasticamente ao som do "Mamã eu quero..."?!
A mãe prendeu também uma flor no cabelo, que a fez parecer logo mais jovem. O pai escolheu um chapéu de chinês, que lhe deu um aspecto muito cómico. Inspirado, executou um sapateado notável, que foi premiado com uma grande salva de palmas.

Satisfeita, a Luiza segredou à irmã:
- Estás a ver aquelas empadinhas? Vou comer uma!
Gulosa, a menina escolheu a que lhe pareceu mais douradinha e deu-lhe uma vigorosa dentada.
- Ah! Que horror! - exclamou logo de seguida, devolvendo a empada ao prato.
A avó Adelina deu uma gargalhada bem disposta:
- Então, gostaste das minhas empadas de Carnaval? Uma especialidade, com recheio de algodão! Mas prova o semi-frio, que parece estar muito bom. Foi feito pela prima Alzira!
A risota foi geral, quando a mãe Isabel tentou cortar uma fatia do famoso gelado. Não havia talher que lhe chegasse, pois afinal também ali havia uma partida carnavalesca - o doce não passava de uma esponja coberta de natas e chocolate!
As danças e brincadeiras prolongaram-se pela noite fora, e a família divertiu-se como nunca, esquecida do cansaço do dia, do sono, da hora e da vontade de ir para a cama.
Quando, finalmente, os "assaltantes" saíram, depois de despedidas efusivas, a Luiza e a Ana perguntaram aos pais:
- Não ficaram zangados connosco por termos começado uma festa exactamente quando estavam tão cansados e queriam ir descansar, pois não?
O pai Francisco e a mãe Isabel fizeram um ar muito sério, trocaram um olhar e franziram as sobrancelhas, deixando as meninas apreensivas.
Depois, não se contiveram por mais tempo e desataram a rir, dizendo:
- É Carnaval, ninguém leva a mal!
As filhas riram também, aliviadas.
Estavam todos muito felizes, e aquela fora, de longe, a melhor de todas as festas de Carnaval!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

VAMOS CANTAR AS JANEIRAS!, quadras de Ilona Bastos


Vamos cantar as Janeiras!

Neste início de Ano Novo,
Com Janeiro a tiritar,
Vamos lá cantar meu povo,
Boas Festas desejar.

Vamos cantar a alegria,
Que a tristeza já não serve.
Com esperança, energia,
A Fé em Deus se conserve.

Com esperança, cantaremos,
Brindaremos ao Futuro.
A vida celebraremos
Com bolo e vinho maduro.

Celebremos esta vida -
Do Senhor, bênção, ao Mundo -
Numa canção comovida
Em coro de amor profundo.

Cantemos pra desejar,
A todos, Festas Felizes,
Um Bom Ano, a transbordar
De paz, amor e petizes!


Ilona Bastos


Durante o mês de Janeiro - tipicamente entre o dia 1 e o dia 6  (Dia dos Reis ou Epifania) - grupos de pessoas reúnem-se e andam pelas ruas a cantar, anunciando o nascimento de Jesus e desejando um feliz ano novo.
É uma tradição de Portugal "cantar as Janeiras" ou "cantar os Reis":  grupos de amigos ou vizinhos cantam de porta em porta e, no final da canção, esperam que os donos da casa tragam "janeiras" - tradicionalmente, castanhas, nozes, maçãs, chouriço, morcela, etc.

domingo, 19 de dezembro de 2010

PARABÉNS AOS ALUNOS E AOS PROFESSORES, de Ilona Bastos

O menino Nicolau, Sempé


Na sua crónica de hoje na revista Pública, Daniel Sampaio refere-se aos bons resultados obtidos pelos alunos portugueses no mais recente estudo internacional sobre o desempenho escolar de jovens de 15 anos nos vários países da OCDE. Neste estudo, denominado PISA (Programme for International Student Assessment) verifica-se que Portugal subiu 19 pontos na Leitura, 21 pontos em Matemática e 19 pontos em Ciência.
Na sua, como sempre interessantíssima e bem fundamentada, crónica, Daniel Sampaio chama a atenção para o facto  - nem sempre salientado por aqueles que têm comentado estes resultados positivos - de que os alunos estão de parabéns: "Portugal subiu na classificação da OCDE graças aos bons resultados obtidos pelos nossos estudantes."
Identificando as razões deste claro progresso e indicando o muito que ainda haverá por concretizar, o mencionado autor enaltece o maior e melhor trabalho dos professores e conclui, sem hesitações: "no Natal não esqueçamos: os dados de Pisa são uma boa notícia que os nossos jovens nos trouxeram."
Estão realmente de parabéns, os alunos, que estudaram e trabalharam com entusiasmo e ardor, assim aprendendo e conseguindo os bons resultados que agora  nos enchem de alegria.
O estudo, a aprendizagem e o conhecimento continuam a ser o melhor caminho de preparação para a vida e para a construção de um futuro mais risonho.
Os nossos parabéns aos alunos, e os votos de que os bons resultados alcançados incentivem todos os estudantes portugueses a dedicarem-se, com renovado empenho, ao estudo e às actividades escolares,  durante o novo ano que em breve se inicia.
A todos desejamos um 2011 cheio de sucesso!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O ELÉCTRICO DE NATAL, história de Ilona Bastos


- Olha o eléctrico! Olha o eléctrico! - gritou o menino, excitado.
E a mãe espantou-se:
- Qual é a admiração, Júlio? Eléctricos há muitos!
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Mas o rapaz, agitado, puxava a mãe pelo braço, ao longo da Rua dos Fanqueiros.
- Quero ir no eléctrico!
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A mãe voltou-se e compreendeu. Todo engalanado de luzes e decorações natalícias, o eléctrico amarelo evoluía pela rua fora como um brinquedo gigante saído de um conto de fadas.
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O som dos cânticos de Natal invadia a rua, alegrando as pessoas que entravam e saíam das lojas, também elas enfeitadas para a quadra festiva.
O menino não hesitou quando o carro passou junto dele, e, de um salto, arrastou a mãe para o veículo, tropeçando nos degraus.
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Lá dentro, uma claridade especial fez mãe e filho piscarem os olhos, enquanto o palhaço Aboborinha os convidava a sentarem-se, com patuscos gestos das suas mãos enluvadas. O guarda-freio, que era o Pai Natal, acenou-lhes, satisfeito.
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Espreitando pela janela emoldurada de branco, parecia a cidade coberta de neve. E dentro da carruagem os bancos de madeira envernizada brilhavam com o esplendor dos arraiais.
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Os palhaços contavam anedotas, torcendo a boca pintada, em enormes gargalhadas. O Júlio ria, também, como que hipnotizado. A mãe, olhando em redor, sentia-se novamente menina, feliz, ansiando pelos presentes que o Menino Jesus deixaria junto à chaminé.
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Lâmpadas de todas as cores salpicavam a noite, formando desenhos de anjos, laços e azevinhos esvoaçantes e, ao fim de tantos anos, as velhas ruas da baixa lisboeta voltavam a surgir à mãe do Júlio como caminhos encantados, onde todos eram felizes e só a Alegria e o Amor imperavam.
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Na Praça do Comércio, o eléctrico parou, e os palhaços, com grandes acenos e sorrisos, despediram-se dos passageiros, entregando-lhes, à saída, um presentinho surpresa.
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- Feliz Natal! Feliz Natal! - entoavam as crianças e o Pai Natal.
- Festas Felizes! Festas Felizes! - cantavam o Júlio e a mãe.
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E aquelas palavras, repetidas vezes sem fim, soavam como badaladas de um sino em dia de festa.
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O Júlio voltou a agarrar o braço da mãe, desta vez para a levar até uma loja de brinquedos, onde um Pai Natal risonho guiava as suas renas pelo azul dos céus.
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A mãe seguiu o filho contrariada, sem desprender o olhar do eléctrico de Natal, onde um novo grupo de crianças iniciava o seu passeio.
Malicioso, o Júlio soltou uma gargalhada:
- Então, mãe! Eléctricos há muitos!


De 2 a 20 de Dezembro, em Lisboa, o  Eléctrico de Natal da Carris transportará os mais novos em viagens natalícias cheias de surpresas e momentos inesquecíveis.
O passeio é gratuito e realiza-se mediante inscrição das respectivas escolas. 
O Eléctrico de Natal funciona de segunda a sexta-feira, das 9H30 às 17H00, e aos sábados das 10H00 às 11H00.




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O PÃO-DE-LÓ, história de Ilona Bastos


Pela manhã, a mãe do David levantou-se, de caracóis revoltos, lavou as mãos e correu à cozinha.

Aí, ferveu o leite, que deitou sobre o chocolate em pó, cortou uma gorda fatia de pão-de-ló, e tudo dispôs num tabuleiro, com uma palhinha vermelha e um alvo guardanapo de papel.

Depois, foi a vez de acordar o David, ensonado, recusando abrir os olhos.

- Bom dia, filhote! - cantou a mãe. - Vamos acordar.

O menino murmurou:

- Não...

- São horas de levantar! - disse a mãe, olhando o relógio.

O menino voltou-se na cama e resmungou:

- Não.

- Olha que tens de ir para a escola e não deves chegar atrasado! - lembrou a mãe, destapando o dorminhoco.

O menino fechou os olhos com força e agarrou-se aos cobertores:

- Não!

- Ai! Ai! - zangou-se a mãe. - Tu não queres acordar e lá dentro o pão-de-ló não pára de reclamar.

- O pão-de-ló? - perguntou o David, abrindo os olhos.

- Sim, o pão-de-ló - respondeu a mãe, expedita. - Não sei o que combinaste com ele, mas insistiu imenso em falar contigo, não me deixou sossegada, e agora está na sala, à tua espera...

- O pão-de-ló! - exclamou o menino, de olhar brilhante, sentando-se na cama.

Depois, sorriu, maroto, estendendo os braços:

- Ajuda-me, mãe. Tenho uma reunião importante, agora.

- Sim? – perguntou, a mãe, aliviada, entregando ao filho a camisa e as calças de ganga. - Tens uma reunião na escola, com a professora?

O David torceu o nariz e acabou por soltar uma gargalhada:

- Não, mãe, não! Na sala, com o pão-de-ló!