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terça-feira, 4 de junho de 2013

QUADRAS DE SANTO ANTÓNIO, quadras de Ilona Bastos



  QUADRAS DE SANTO ANTÓNIO


Sant'António, meu santinho,
Devoção que guardo e prezo,
Traz-me paz, amor, carinho,
Por um namorado eu rezo.

Pr'a casar eu já estou pronta,
E um belo enxoval juntei.
No meu coração desponta
O amor com que sonhei.

Inteligente, atrevido,
Belo e jovem, sorridente.
Se p'ra dançar o convido,
Me dá um beijo, contente.

Nestas noites da cidade
Vou brindar ao meu amor,
Às marchas, à amizade,
P'los pátios em festa e flor.


domingo, 2 de agosto de 2009

A ESPERTEZA DO RATINHO JOÃO, história da Avómi


O Ratinho João tinha convocado os irmãos para uma reunião importante. À hora marcada reuniram-se à volta de uma mesa muito comprida, numa furna bem escondida.

- Hoje vou comer um gelado que me vai saber tão bem, que vocês não imaginam. - Disse o Ratinho João aos seus irmãos Francisco, Manuel, Jacinto, etc., etc... (eram tantos!) Vou comer um gelado com uma bolachinha, que me hei-de consolar. Querem ir comigo? Convoquei-vos para esta reunião, para vos fazer a proposta de me acompanharem. Não podia fazê-lo noutro local, não fosse alguém ouvir e estragar os meus planos.

Os irmãos do Ratinho João olharam uns para os outros e um deles perguntou:

- Achas que não daremos nas vistas?

- Não! - Disse o Ratinho João - Não quero dizer, que vamos todos ao mesmo tempo, pois poderíamos ser apanhados, mas iremos dois de cada vez. Teremos que ir pé-ante-pé, para que ninguém nos veja nem nos oiça. É que as pessoas não compreendem, que nós temos tanta necessidade de nos alimentarmos e de comermos coisinhas doces como elas, e podem armar-nos uma ratoeira!

- Tiveste uma boa ideia de irmos dois de cada vez. - Disse o Jacinto.

- Então vamos lá, Jacinto! - Disse o João - Depois irão outros dois.

O João e o Jacinto puseram-se a caminho da geladaria. Chegados lá, encostaram-se muito bem à parede e ninguém os viu entrar. Abriram o frigorífico que estava ao fundo da cozinha, tiraram um gelado para cada um. Eram duas taças enormes, muito bem ornamentadas com chantilly, uma bolachinha e, ainda, para completar o ornamento, um guarda-sol que abria e fechava.

Os ratinhos acharam tanta piada ao guarda-sol, que se distraíram a brincar com ele; abriram-no e fecharam-no, voltaram a abrir e a fechar... Tantas vezes isto aconteceu e demoraram tanto tempo, que, quando resolveram começar a comer o gelado, já ele estava totalmente derretido. Muito admirados, olharam um para o outro e o Ratinho João disse:

- Não te preocupes, Jacinto, que há muitos gelados no frigorífico. Vamos buscar outros e até ficaremos com mais um guarda-sol para cada um.

-Está bem, vamos lá! - Disse o Jacinto - Mas cuidado, que tu às vezes és distraído e podes ser apanhado por aquelas meninas que estão ali fora, ao balcão, a atender as pessoas.

- Não te preocupes comigo e tem cuidado também, porque não és menos distraído que eu. - Disse o João - Temos que fazer tudo com cautela, para mais tarde os nossos irmãos poderem vir também provar estes maravilhosos gelados.

Dirigiram-se ao frigorífico, tiraram uma taça de gelado para cada um, comeram, comeram... e ficaram com umas barrigas enormes, porque um gelado daqueles era demasiado grande para uns ratinhos tão pequeninos.

Mal se podendo arrastar, dirigiram-se a casa, para que os irmãos fossem também saborear aquela delícia. Porém, estavam tão gordos e tão diferentes, que os irmãos ao verem-nos com aquelas barrigas enormes e sem a ligeireza habitual, ficaram preocupados e com medo que o Ratinho João e o Ratinho Jacinto tivessem adoecido gravemente.

- Agora é a vossa vez! - Disse o Ratinho João - Quem quer ir? Não tenham receio, que é muito fácil. As meninas que estão na geladaria têm muitos clientes para atender e nem se lembram de olhar para o chão, por isso não há que ter receio.

Os ratinhos olharam uns para os outros, mas não se decidiam e o Ratinho Jacinto disse:

Vão lá! Se perdem muito tempo, não poderão ir todos, porque, entretanto, anoitecerá e fecharão as portas.

O Ratinho Manuel, perguntou ao Ratinho Francisco:

- Queres ir? Anda daí!

- Vai com o António. Eu não tenho apetite e irei noutra ocasião. - Disse o Francisco.

Estavam todos com tanto medo de ficarem gordos e indolentes como os irmãos, que não queriam atrever-se, até porque, gulosos como eram, sabiam muito bem que se fossem não se contentariam com um gelado apenas. Para além disso, um Ratinho amigo havia-lhes contado que, por pouco não tinha sido apanhado por uma ratoeira, uma vez que foi à mesma geladaria com o propósito de comer um gelado.

- Eu não vou. - Disse o António.

- É melhor não irmos! - Disse o Francisco - Além do risco de podermos ser apanhados, ainda poderemos ficar, como os nossos irmãos, gordos e indolentes. Eu desisto.

- Também acho! - Disse o Elias - Ficamos por aqui. Até porque os doces em excesso fazem muito mal à saúde.

- Tens razão! - Exclamaram todos. Vale mais prevenir, que remediar.

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domingo, 19 de julho de 2009

A FLAUTA MÁGICA, história da Avómi



Era um barulho ensurdecedor na capoeira e ninguém sabia porquê.

- Có, có, ró, có, có, có,
có, có, ró, có, có, có,
có, có, ró, có, có, có...

O Senhor Pinto, já cansado de ouvir tanto barulho, saiu de casa e foi até à capoeira, que era ao fundo da quinta.

Estava uma noite péssima, e chovia torrencialmente. O vento abanava as árvores e, mal o Senhor Pinto se descuidou, virou-se-lhe o guarda-chuva e ficou molhado que nem um pintainho, mas nem por isso deixou de ir à capoeira, para tentar por termo à guerra que lá existia.

Quando lá chegou, ficou todo arrepiado, porque aquilo era um pandemónio; desde penas pelo ar, peles arrancadas, pernas partidas, havia tudo que lhe desagradava. Muito zangado, entrou na capoeira, mas por mais que gritasse para se fazer ouvir, as galinhas não o ouviam e continuavam aos pulos, picando-se umas às outras com o seu có, có, ró, có, có ensurdecedor.

O Senhor Pinto, furioso, sem conseguir aquietar as galinhas que além de se picarem umas às outras, ainda o picavam no meio daquela confusão, saiu, voltou a casa e disse à mulher:

- Ó mulher, não sei que hei-de fazer! As galinhas estão todas loucas e não consegui sossegá-las. Vai lá tu, que és mais paciente e talvez consigas alguma coisa.

A Senhora Pinta, muito senhora do seu nariz e convencida que resolvia todos os problemas, disse:

- Claro que vou conseguir! Tu não conseguiste, porque não usaste a cabeça para pensar. Bastava que tivesses levado a tua flauta e tivesses tocado aquelas melodias lindíssimas, que tão bem sabes tocar, e elas ficariam logo quietinhas.

- Achas que daria resultado, mulher?

- Claro que sim, homem! Os animais gostam de música! Quem é que não gosta de te ouvir tocar flauta, marido? Se fores até à capoeira com a tua flauta e proporcionares às galinhas uns momentos de bela música, garanto-te que ficarão deliciadas e paradinhas a escutar. É certo que, depois de tamanha revolução, muitas delas devem estar feridas e há que tratar delas, mas irei contigo, levarei a malinha dos medicamentos, e enquanto tu tocas flauta, eu vou pegando uma a uma, para tratar os ferimentos.

Estou a pensar, que o causador daquelas guerras, é aquele galo grande que comprámos há dias! Antes elas davam-se tão bem!

- És capaz de ter razão, mulher!

- Tenho, tenho, não tenhas dúvida! Mas para termos a certeza absoluta, vamos experimentar tirá-lo de lá e logo veremos.

Dirigiram-se ambos à capoeira, a Senhora Pinta com a mala dos medicamentos e o Senhor Pinto com a flauta mágica que, pelo caminho, começou a tocar. Quando chegaram ao galinheiro, já as galinhas estavam sossegadas e a beber água nos bebedouros, para refrescarem os bicos.

A Senhora Pinta começou imediatamente a tratá-las, pois estavam todas feridas, e o Senhor Pinto foi tocando uma linda melodia, para as acalmar.

Depois de todas as galinhas tratadas, retiraram o galo da capoeira e daí em diante não houve mais guerra entre os galináceos.

Ah, esquecia-me de dizer que o Senhor Pinto, apesar da paz que passou a haver na capoeira, continua a ir tocar lindas músicas, para distrair as galinhas. Sempre que isso acontece, elas ficam tão quietas e fascinadas, que causam admiração.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

OS ABRUNHOS, poesia de Maria da Fonseca

Por entre as folhas castanhas
Os frutos redondos luzem
Como bolas de Natal,
Lindos abrunhos seduzem.

Mas são tantos em cachinhos
Que os ramos caem pesados.
Nem o vento os faz mover
Quando sopra alvoroçado.

Pra avermelhar os mais verdes
Chegou o calor amigo,
Em breve ficam maduros
Para comê-los contigo.

São decerto os passarinhos
Os primeiros a prová-los,
Só depois se eles gostarem
Nós vamos saboreá-los.

Temos de subir à árvore
Sem que a nossa avó nos veja!
Vive a suplicar ao céu
Que haja um Deus que nos proteja!

Se o Senhor assim nos deu
Lindos frutos saborosos,
Vai desejar com certeza
Que apreciemos, gulosos!

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domingo, 14 de junho de 2009

A CEBOLINHA MAZONA, história da Avómi

Era já tarde, quando a Cebolinha Mazona deixou, finalmente, de fazer chorar o Patinho Cozinheiro.

Era um martírio! Todos os dias o Patinho Cozinheiro chorava. Chorava antes do almoço, antes do jantar... Sempre culpa da Cebolinha Mazona! Mal ele lhe tocava com a faca, fazia-lhe respingar seu suco para os olhos e o Patinho Cozinheiro chorava, chorava... até parecia que tinha uma dor muito grande. Coitadinho do Patinho Cozinheiro só deixava de chorar nos intervalos das refeições que fazia, e estava a ficar com os olhos cansados.

Assim que o Patinho Cozinheiro chegava à cozinha e punha o avental, começava a ficar triste e pensava:
- Hei-de arranjar maneira de picar cebola sem que ela me faça chorar.

Todos os dias pensava a mesma coisa, todos os dias chorava e nunca arranjava maneira de fazer aquele trabalho, sem que a Cebolinha Mazona o fizesse chorar.

Certo dia, estava o Patinho Cozinheiro lavado em lágrimas, entrou na cozinha o Ratinho Curioso...
- Que tens, Patinho Cozinheiro? Estás tão triste! Porque choras tanto? Quem te fez mal?
- Ninguém me fez mal, nem estou triste. A Cebolinha Mazona é que me faz chorar sempre que lhe toco. Mal lhe toco com a faca, salpica-me os olhos com o seu suco e acontece isto que vês.

- Olha, Patinho Cozinheiro, não digas nada a ninguém, para não dizerem que eu costumo vir espreitar, mas às vezes escondo-me ali atrás daquela panela grande, e espreito para observar o que se faz na cozinha. Sobretudo, acho muito interessante aquele Cozinheiro muito grande, com um ar importante e um chapéu branco muito alto. Uma das coisas que observei, é que ele, quando pica a cebola, molha-a muito bem, deixa-a ficar debaixo de água um bocado, e assim, quando a pica, já não chora.

- Não me faças rir! - disse o Patinho Cozinheiro - Eu sou cozinheiro há tantos anos e nunca ouvi dizer tal coisa!

- Podes crer que é verdade, - disse o Ratinho Curioso - porque há dias ouvi o Cozinheiro dizer ao Ajudante, que fizesse isso. Ele fez e eu vi com os meus olhos, que não deitou uma lágrima que fosse, e picou a cebola num instante.

O Patinho Cozinheiro calou-se, mas ficou com ar de quem não estava a acreditar nada na lição do Ratinho Curioso. Porém, ficou a pensar e a dizer de si para si:
- Ainda hei-de experimentar! Mas vou fazê-lo sem dizer ao Ratinho Curioso, não vá ele ainda fazer troça de mim por o ter acreditado.

- Estás muito calado! - disse o Ratinho Curioso - Não sei porquê, mas quere-me parecer que estás a pensar no que te disse, e estás com receio que te esteja a enganar. É verdade, não é?

O Patinho Cozinheiro que não gostava nada de mentir, disse:
- É verdade. Por acaso estava mesmo a pensar isso! No entanto, considero-te um bom amigo e penso que não me pregarias uma partida dessas, pois não, Ratinho Curioso? Livra-te! Se descubro que me queres enganar, nunca mais te deixarei entrar na cozinha para comeres aqueles bocadinhos de queijo tão delicioso, que costumo dar-te.

- Ó Patinho Cozinheiro, tu achas que o Ratinho Curioso enganaria o seu melhor amigo? Não penses uma coisa dessas, que me entristece muito! Julgava que tinhas mais confiança em mim!
- Lá confiança em ti, tenho, mas como és muito brincalhão!...

- Não, meu amigo! Com coisas sérias não se brinca, e custa-me muito ver-te chorar, quando estás a fazer aqueles cozinhados tão apetitosos. Cheiram tão bem! E também sabem, pois aqui para nós... Não sei se te diga!

- Diz, diz! Para alguma coisa somos amigos! - disse o Patinho Cozinheiro.

- Às vezes não resisto aos teus pitéus. É um cheirinho!... Escondo-me atrás da tal panela, para ver onde põem a comida que sobra, fico à espera que todos saiam da cozinha, e depois...
- Depois o quê? - perguntou o Patinho Cozinheiro.

- Depois vou pé ante pé e delicio-me com uns manjares que nem imaginas. - disse o Ratinho Curioso - É certo que, estou sempre com um bocado de receio de fazer barulho a roer e de ser apanhado em flagrante, mas tenho tido sorte. Eu sei que aquela comida não vai ser comida por ninguém, mas se me apanham na cozinha ainda me armam uma ratoeira, e será um caso sério.
- Tem cuidado, Ratinho Curioso! Gosto muito de ti e não quero ver-te sofrer! Esconde-te bem, e não faças barulho, enquanto houver aqui pessoas.

- Está bem, Patinho Cozinheiro, ouvi o teu conselho e agradeço a tua amizade!
- Então adeus, Ratinho Curioso! Também agradeço a tua lição e a tua amizade!
- Adeus Patinho Cozinheiro! Segue o meu conselho e deixarás de chorar.
Um dia destes passarei por cá e dir-me-ás se resultou.
- Adeus, amigo Ratinho Curioso!!!...

Dali por diante, o Patinho Cozinheiro deixou de chorar, porque seguiu o conselho do Ratinho Curioso e deu-se muito bem. Nunca mais chorou nem uma lágrima.

Mais tarde, voltaram a encontrar-se e o Patinho Cozinheiro disse ao Ratinho Curioso, que nunca mais chorou, quando pica cebola.

O Ratinho Curioso ficou muito vaidoso, por ter sido ele a ensinar aquele truque ao Patinho Cozinheiro.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

FESTA DE SANTO ANTÓNIO, poesia de Ilona Bastos

 
Santo António vou festejar,
Levo um arquinho e um balão,
Toda a noite vou bailar,
Ao meu amor dar a mão.


Vou comprar um manjerico
E ofertá-lo ao meu amor.
É viçoso, verde, rico,
Vermelho, o cravo, um esplendor.
 

Sua quadra popular
É de amor uma mensagem:
"Pelas ruas a dançar
Só verei a tua imagem.”


Aqui se salta a fogueira,
Ali se ri, a brincar,
Além se canta, altaneira,
Uma canção popular.


No arraial enfeitado,
De luzes, grinaldas, balões,
Palpitantes, lado a lado,
Batem nossos corações.
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OS PARDAIS COM ALEGRIA, poesia de Maria da Fonseca


O João senta-se à mesa,
Está pronto pra almoçar.
A atmosfera está morna
E o "garçon" não vai tardar.

No passeio, os pardalitos
Não param de saltitar.
Chamam a sua atenção
Com o constante piar.

Mas o "garçon" já lá vem
Com seu prato favorito.
E as avezinhas atentas
Ensaiam o seu saltito.

Dois pardais atrevidotes,
Saltam juntos do passeio
Para a mesa do João,
Atacando o prato cheio.

Ainda se vissem gato,
Tudo pode acontecer,
Mas um bife com batatas
Não dá para enlouquecer!

O João, benevolente,
Espantou as avezinhas,
Deitando pão para o chão,
Um miolo em migalhinhas.

Os pardais a saltitar
Deixam o nosso João
Saborear o almoço,
E vão comendo o seu pão.

Agora, todos os dias,
O João tem companhia
Na sua hora de almoço,
"Os pardais com alegria".
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quarta-feira, 10 de junho de 2009

BEM-VINDO AO BLOGUE À AVENTURA!

Criámos este cantinho como complemento do site À AVENTURA! e esperamos, muito em breve, trazer aqui histórias, poesia, notícias e entrevistas.

Até logo!