segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A PRAIA, quadras de Ilona Bastos

Praia da Vieira, de Sílvia Patrício


Voam pipa, disco,  bola,
Espuma branca, onda do mar.
Rente à areia macia,
Passa a gaivota, a planar.

Um papagaio descola,
Pula o menino, a brincar.
Ao vento, em doce carícia,
 Vela de barco a vogar.



sábado, 2 de julho de 2011

A OVELHINHA MANHOSA, história da Avómi

Ovelha - Imagem do Blogue Locks Park Farm


Estava um dia de sol e a Cabrinha Saltarica não queria perder nem uma réstia. Como não gostava de estar quieta, andava a saltaricar sobre as pedras e viu a Ovelhinha Manhosa que fugia assustada. Com curiosidade, perguntou-lhe:

- Para onde vais neste dia tão bonito, com esse ar assustado, Ovelhinha Manhosa?

- Não digas nada, Cabrinha Saltarica, mas vou tentar esconder-me, porque andam por aí uns senhores a cortar a lã às ovelhas e não quero que me façam o mesmo.

- Não queres que te façam o mesmo? Ora essa! Então queres andar com a lã a arrastar pelo chão, com esse aspecto tão feio?

- Prefiro, porque já uma vez me cortaram a lã e andei uns tempos a tiritar de frio. Não estou para isso.

- Tu é que sabes, mas acho que fazes mal, Ovelhinha Manhosa.

- O que eles querem, é vender a minha lã para fazer casacos, mas nessa é que eu não caio. Iam ficar os outros com casaquinhos quentinhos, feitos com a minha lã e eu cheia de frio, não?! Era o que faltava! Pensam que são espertos, mas enganam-se, pois eu sou bem mais esperta que eles.

- Mas olha lá, Ovelhinha Manhosa, a tosquia acontece todos os anos na época própria e a lã volta a crescer, por isso não compreendo o teu receio! Olha que é para teu bem!

- Não tens nada que compreender. Eu é que sei da minha vida, e com a minha lã ninguém há-de andar aquecido.

- Estás a ser egoísta, Ovelhinha Manhosa.

Cabra - Imagem do blogue True Wild Life
 
Passado algum tempo, a Cabrinha Saltarica subia a encosta aos saltinhos, toda contente, encontrou uma ovelha muito gorda, muito feia e suja. A lã dela arrastava pelo chão e mal podia mexer-se.

A Cabrinha Saltarica fez os possíveis por passar bem longe dela, pois estava tão suja e cheirava tão mal, que metia nojo.

Era a Ovelhinha Manhosa, mas devido ao seu estado e à modificação que sofrera, a Cabrinha Saltarica não a reconheceu. Contudo, a Ovelhinha Manhosa reconheceu imediatamente a Cabrinha Saltarica e disse:

- Não me cumprimentas, por eu estar feia e doente, já sei.

- Ah, és tu! Desculpa, mas não te reconheci. Com efeito, estás mesmo feia! Eu bem te dizia, mas não quiseste crer!

- Ai, Cabrinha Saltarica, nem sabes quanto tenho sofrido! Se és minha amiga, por favor, arranja-me depressa um tosquiador, que já não aguento mais com tanto peso e o calor dá cabo de mim.

- Agora é impossível, dado que não é a altura das tosquias. Terás que esperar, porque se fosses tosquiada nesta altura, não aguentarias o frio do Inverno que se aproxima. No entanto, vou falar com o Senhor Francisco que é o tosquiador das ovelhas do meu dono e veremos o que ele diz, mas acho que me dará razão.

- Se visses como as Ovelhas lá da quinta estão bonitas!...

- Não desanimes, Ovelhinha Manhosa! Ainda que não seja possível seres tosquiada agora, o pior tempo já passou. Tens que ter paciência e aguentar mais um pouco. Cá para mim, isso é castigo de Deus pelo teu egoísmo e terás mesmo que aguentar até à próxima época.
 
De futuro já sabes, que as coisas quando acontecem, é por alguma razão e não voltarás a esconder-te na altura das tosquias, visto que, não só prejudicas os outros, mas também a ti própria.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

DIA DE SANTO ANTÓNIO, quadra de Ilona Bastos


Santo António milagreiro
Roga por nós ao Senhor
Que nos traga mais dinheiro,
Fé, saúde, paz e amor.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A CAMÕES, poesia de Maria da Fonseca




Olhai o nobre Poeta,
A Lírica apaixonada
Duma alma inquieta
Da alma gémea afastada.

Combateu com galhardia
Usando a pena e a 'spada,
Da História fez Poesia,
Lutou pela terra amada.
 
E ao ilustre Português
Dedico este poema,
Lembrando mais uma vez
Seu sofrer, pobreza extrema.

Morreu co'a Pátria nessa hora
Mas Portugal renasceu!
Também 'speramos agora
Que nos ilumine o céu.
 
E o nosso Poeta amado
da lei da morte remido
Continue a ser cantado
Por todo este povo unido!

terça-feira, 24 de maio de 2011

APRENDER MATEMÁTICA A SORRIR


Salman Khan: Vamos usar o vídeo para reinventar a educação
Caso não consiga visualizar aqui o vídeo com as legendas em português, poderá vê-lo AQUI


Salman Khan, um jovem analista de fundos de investimento americano, ajudava os primos a resolver os problemas de Matemática, dando-lhes explicações sobre a matéria. Como ele vivia em Boston e os primos em Nova Orleães, a certa altura as explicações passaram a ser dadas através de vídeos que Salman  colocava no You Tube. Os primos adoraram e chegaram a dizer-lhe, para seu grande espanto, que o preferiam nos vídeos do que em pessoa! Bom, ultrapassado o choque, Kahn compreendeu o que os primos queriam dizer: que as suas explicações de Matemática dadas através dos vídeos tinham vantagens sobre as explicações tradicionais, e que assim conseguiam compreender muito melhor a matéria.

Para grande surpresa de Kahn, isto aconteceu não apenas com os primos mas com um crescente número de estudantes, que passou a assistir às suas explicações de Matemática e a sentir grande alegria e entusiasmo pelo facto de finalmente conseguir compreender e resolver problemas que até aí pareciam de grande dificuldade.

A partir destes primeiros vídeos, desenvolveu-se uma verdadeira academia, a Academia Kahn, que conta actualmente com mais de 2.000 vídeos, abrangendo grande parte do curriculum de Matemática (desde as mais simples somas de um algarismo, até aos mais complicados cálculos), e ainda Biologia, Química, Economia,  e muitas outras matérias.

Neste vídeo, Kahn conta, de maneira engraçada e esclarecedora, como conseguiu interessar os alunos na Matemática e como tenciona criar uma sala de aula do tamanho do Mundo.






domingo, 22 de maio de 2011

UM RELÓGIO FIXE, história de Ilona Bastos




Num domingo, ao almoço, sem esperar, o Tiago recebeu do avô um magnífico relógio.

- Repara! - disse-lhe o avô. - O relógio tem luz no mostrador, todas as horas estão marcadas com algarismos, é à prova de água e funciona a pilhas, por isso não precisas de lhe dar corda...

- Fixe! - exclamou o menino, maravilhado. – Muito obrigado, avô. Vou andar sempre com ele.

E assim fez. O menino colocou o relógio no pulso, empoleirou-se ao colo da mãe para que lhe relembrasse a leitura das horas, e a partir desse dia não mais largou o relógio.

Na escola foi um sucesso, naturalmente, pois de todos os relógios presentes - que nos braços das crianças cronometravam mil e uma tropelias - o relógio do Tiago era o mais fantástico, o mais moderno, enfim, o mais fixe... Nunca se atrasava, nem adiantava. E ao menino não dava trabalho algum, pois nem de corda o relógio precisava, sempre enérgico, sempre dinâmico, sempre pontual!

E, também, assim, o Tiago passou a ser o aluno mais pontual da sua sala!
 
Ora acontece que numa noite, encontrando-se o menino a dormir, começou o relógio a sentir-se indisposto: eram os braços doridos - isto é, os ponteiros sem força; era uma forte dor de cabeça - ou seja, o mecanismo a fraquejar; eram umas tonturas tais que o ponteiro dos segundos - aquele mais veloz e mais traquinas, com uma energia ímpar - dava um passo à frente e outro atrás, sem saber se avançar se recuar.

O relógio ainda tentou chamar a atenção do menino, soltando pics e tics e tucs - o que nele não era nada habitual.

Mas o Tiago não acordou, voltou-se para o outro lado e continuou a sonhar.
       
De manhã é que foi a decepção, quando o menino percebeu que o relógio parara. Já  o sol ia alto, inundando de luz toda a casa, e os ponteiros marcavam as três horas da madrugada, como se ainda fosse noite e as estrelas cintilassem no céu.

- O relógio não funciona! O relógio está doente! - gritou o Tiago, aflito.

O pai e a mãe correram para ver o que se passava, e observaram atentamente o mostrador. O pai aproximou o relógio do ouvido, verificou os botões da luz e de acertar os ponteiros, e abanou a cabeça, muito sério.

- É grave? - perguntou o menino, ansioso.

- Está muito fraco. - diagnosticou o pai. - Precisa de alimento.

- Alimento?! - exclamou o menino, aliviado. - Se é só isso, resolve-se já!

E, de um pulo, correu em direcção à cozinha.

Do quarto, os pais ouviram-no espreitar o frigorífico, bater as portas dos armários, abrir e fechar gavetas, mexer em loiças e talheres. Daí a pouco, o Tiago regressava, vitorioso.

- Cá está! Leite com cereais! – anunciou. - O alimento próprio para um relógio fixe!
Os pais caíram na gargalhada e a mãe, sem parar de rir, dirigiu-se à escrivaninha do escritório, trazendo uma peça pequenina e prateada, semelhante a um botão, que entregou ao pai.

- Não estou a perceber a razão de tanta risota... - disse o garoto, meio queixoso, meio divertido.

- É que o alimento do relógio é esta pilha. - esclareceu o pai. – Vou colocá-la aqui e o relógio fica como novo...

- Ou seja, volta a ser um relógio fixe - concluiu o menino.

- Exactamente! - aprovou a mãe. - Mas agora que o relógio já está em forma, precisamos de dar alimento, também, a um miúdo fixe...

- Pilhas! - gritou o Tiago, maroto.
       
- Errado! - corrigiram os pais, risonhos. - Leite com cereais!


domingo, 15 de maio de 2011

“O livro e o Tempo - ameaças e oportunidades” , de Anabela Rosa

Ilustração de Darryl Brown


Um livro é uma janela pela qual nos evadimos”
Julien Green


No dia 23 de Abril, dia de São Jorge, celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, data instituída pela UNESCO, desde 1996, na sequência de uma antiga tradição catalã que assinalava essa data com oferta pelos cavaleiros às suas damas de uma rosa vermelha em troca de um livro. 
 
Essa data, que surge, ainda, associada ao falecimento de Cervantes e Shakespeare, é uma homenagem à literatura e tem o intuito de promover a leitura e alertar para os direitos dos autores das obras literárias. 
 
A História do livro está associada à História do Homem, tendo acompanhado a sua evolução tecnológica, social e cultural, o qual produzido nos mais diversos suportes, ao longo das épocas, tem permitido através da escrita, registar as experiências, ideias e conhecimentos dos povos.

Do seu percurso de milhares de anos, com génese na invenção da escrita, foi só século XV, com Gutenberg que a prensa, já conhecida dos chineses, através do mecanismo de caracteres móveis reutilizáveis e a utilização do papel, tornou possível a produção em série dos livros e a sua popularização. 
 
Porém, o acesso democratizado aos livros tem percorrido um longo caminho e enquanto veículo transmissor de informação e conhecimento, servido os mais diversos propósitos, desde religiosos a políticos, tendo, não raras vezes, sido idolatrado, outras, diabolizado e proibido. 
 
Todavia, foi só em meados do século passado, que os livros passaram a fazer parte do quotidiano das populações, fruto da melhoria das condições económicas, da adopção de medidas de politica educativa e cultural que apostaram na escolarização progressiva e mais prolongada da população, a par do alargamento da rede de bibliotecas públicas e escolares. 
 
Nesta medida, há que reconhecer uma evolução positiva no acesso aos livros com repercussão nos hábitos de leitura. 
 
Todavia, o livro tal como o conhecemos, enquanto objecto transportável, encadernado com folhas de papel, terá de evoluir para outros formatos em virtude das novas tecnologias de informação e comunicação, onde a apetência pela Internet atingiu um impacto considerável. 
 
São exemplos claros dessa evolução, os livros digitais, os áudio livros e os manuais escolares em formatos acessíveis para os alunos com necessidades educativas especiais, à qual não é alheia uma sociedade com um olhar mais atento e consciente sobre a igualdade de direitos e de oportunidades das pessoas com necessidades especiais.
 
O aproveitamento das novas tecnologias como potenciais aliados na divulgação da cultura escrita, em prol da sua acessibilidade, tendo em conta a diversidade de cada individuo, é um desafio actual e futuro a enfrentar por qualquer sociedade desenvolvida e inclusiva, que coloque as pessoas no centro das suas preocupações. 
 
Ler é sonhar pela mão de outrem”, escreveu Fernando Pessoa no Livro do Desassossego e neste contexto, como a homenagem deste dia se dirige, também, aos Autores e seus Direitos, não nos podemos esquecer da necessidade de serem criadas estratégias inteligentes que permitam o equilíbrio entre o respeito dos seus direitos enquanto criadores e que em simultâneo promovam e assegurem o direito de acesso às pessoas com necessidades especiais à informação e ao prazer da leitura. 

 
Anabela Rosa, in Ipso Jure - 54



Uma sugestão de visita: o lindíssimo blogue Poesia infantil i juvenil, onde descobrimos, entre outras coisas maravilhosas, a ilustração para este belo texto.