domingo, 1 de julho de 2012

A CABANA COR DE ROSA, história da Avómi

Pintura de William Charles Perry

 Certo dia, andavam três meninos a fazer corridas numa praia, quando viram, ao longe, uma casinha toda cor de rosa; as paredes eram cor de rosa, as portas eram cor de rosa, as janelas eram cor de rosa e até o telhado era cor de rosa.

Os meninos acharam tanta graça que, curiosos, correram logo para lá, pois queriam ver bem de perto, que casa era aquela. À distância que antes de encontravam, não podiam ver, exactamente, que tipo de casa era, mas quando se aproximaram, viram que se tratava duma cabana tão bonita, que ficaram maravilhados.

A primeira coisa que o Tomás, o Vasco e o Miguel quiseram saber, foi quem vivia naquela cabana, pelo que, bateram à porta. Bateram, bateram, mas ninguém respondeu. Então, resolveram ficar por ali, a brincar, talvez mais tarde aparecesse o dono ou a dona daquela linda cabana.

Já começava a escurecer, quando os meninos avistaram, a uma distância grande, um vulto. Pareceu-lhes uma menina, porém estava tão afastado, que não podiam garantir que fosse. Quando o vulto se aproximou, então sim, depararam com uma linda menina de cabelos e olhos castanhos, vestida de cor de rosa. A menina era tão bonita, que eles ficaram boquiabertos a olhá-la e perguntavam-se, porque viveria ela na praia, mesmo à beira-mar.

A menina também se admirou, quando viu aqueles meninos, àquela hora da noite, a passear pela praia, e perguntou-lhes quem eram e o que faziam ali. Eles responderam, que andavam a brincar na outra extremidade da praia, quando avistaram aquela casa e quiseram aproximar-se, para vê-la de perto, e também para saberem quem ali morava. Como após baterem à porta, constataram que não estava ninguém em casa, decidiram aguardar pela chegada de alguém, por isso ainda estavam ali, apesar da hora tardia. Por sorte, estava um luar que parecia dia e puderam continuar a brincar.

A menina perguntou aos meninos se podia brincar com eles, aqueles responderam que sim, mas que antes, queriam saber a razão por que uma menina tão bonita, estava na praia sozinha e a viver numa cabana. Ela riu-se e respondeu-lhes que não vivia na cabana, que aquela cabana era apenas uma casinha onde tinha muitos brinquedos, numa sala enorme, onde costumava brincar com os seus amigos. Tinha ainda uma sala de refeições, para, após as brincadeiras, ela e os amigos se consolarem a comer uns ricos lanchinhos confeccionados pela cozinheira e pela ajudante.

Pormenor de Postal de 1890


- A cabana parece pequena, mas vocês vão ver... – disse a menina - Vamos então brincar um bocadinho e depois mostro-vos a cabana por dentro.

- É uma ideia óptima – disse um dos meninos – Mas onde é a tua casa? É muito longe daqui?

- Não. – respondeu ela – Vês ali aquela escadinha? Sobe-se a escada e a minha casa é aquela que fica lá em cima, onde há muitas árvores de grande porte. Estão a ver?

- Sim, sim. – responderam todos.

Os meninos estavam cada vez mais admirados, pois aquela casa era um palácio enorme construído entre muralhas e, contava uma lenda, que era habitado por um rei que ninguém conhecia.

- Então vá, vamos brincar. – disse a menina.

- Mas tu és uma princesa!... – exclamou um dos meninos – As princesas não costumam brincar com os meninos pobres como nós! E se os teus pais ficam zangados contigo, por estares a brincar com meninos da rua?

- Não se preocupem. – respondeu a princesa – Eu sei o que faço.

Brincaram, brincaram... Já era madrugada, quando a princesa os levou para a cabana, porque estavam muito cansados e cheios de sono.

Quando entraram na cabana, depararam com uma mesa enorme repleta das iguarias mais variadas, que lhes foram servidas com todo o requinte, por empregados com fardas muito bonitas com galões e botões dourados.

 Terminada a refeição que muito bem lhes soube, os meninos, sob a orientação da menina, começaram a deslocar-se dentro da cabana... Aquilo não era uma cabana, mas sim um palácio. Quem via por fora, pensava que era uma cabana pequenina, mas lá dentro havia uns corredores subterrâneos que os  conduziram a quartos maravilhosos. Eles não queriam acreditar no que estavam a ver, mas o cansaço era grande e logo que chegaram aos respectivos quartos, deitaram-se e adormeceram profundamente.

No dia seguinte acordaram com o toque de uma campainha e levantaram-se ainda ensonados, sem saberem onde estavam, mas a chegada da princesa, logo os fez lembrar o que se tinha passado na véspera. A princesa disse-lhes:

- Venham comigo, pois tenho uma surpresa para todos.

- Uma surpresa?! – perguntou o Tomás – Só estão a acontecer surpresas, desde que chegámos à praia!

- Pois é! – exclamou o Vasco – Temos tido surpresas agradáveis e penso que a princesa nos vai surpreender com alguma coisa boa.

- Como te chamas? – perguntou o Miguel à princesa.

- Chamo-me Carlota – respondeu a princesa. A surpresa que eu tenho para os meus amigos é a seguinte:

- Vocês disseram-me ontem, que vivem na rua, e eu fiquei a pensar nisso. Como tenho uma casa muito grande e quartos suficientes para todos, estão convidados a viver nesta casa, com todo o conforto que ela tem para vos oferecer. Serão ensinados pelos meus professores, farão parte da minha família. Os meus pais ficarão muito contentes, quando lhes anunciar que a nossa família vai aumentar. Eles gostavam de ter muitos filhos, mas infelizmente, isso não aconteceu. Eu também gostava de ter irmãos, porém sou filha única, por isso, ficaremos todos satisfeitos, já que penso que vocês aceitarão com agrado, a minha proposta.

  
 Aguarela de António José Baptista


- Aceitamos e agradecemos muito, linda princesa. – disse o Miguel, abraçando-a. – Esta foi a melhor surpresa que tive em toda a minha vida, assim como os meus amigos. Nós nunca tivemos família nem sabemos quem são os nossos pais.

- Estou a sonhar!... – exclamou o Vasco – isto não é verdade! Esta princesa é a fingir, assim como este palácio, a cabana...

- Não estás a sonhar, não. – disse a princesa – É tudo verdade.

- Não acredito! – acrescentou ainda o Tomás – Tu deves ser uma fada que nos apareceu e daqui a pouco desapareces e lá se vão os nossos sonhos por água abaixo.

- De modo nenhum! – continuou a princesa – Vou já levar-vos junto dos meus pais, para que fiquem a conhecê-los.

Caminharam por corredores e corredores, subiram escadas e escadas, a princesa foi-lhes mostrando todas as divisões, até que, finalmente, chegaram a uma sala onde se encontravam os pais da princesa e, esta disse-lhes.

- Estes meninos não têm família nem casa onde morar. Vivem na rua e eu queria que eles viessem para a nossa casa e fizessem parte da nossa família.

Os ilustres Senhores, após longa conversa com os meninos e depois de terem a certeza que eles queriam mesmo ficar a viver naquela casa e a fazer parte da família, chamaram os empregados do palácio, para serem apresentados aos novos moradores e também para ordenarem que preparassem os aposentos destinados a cada um deles.

Dali em diante, os moradores daquele palácio passaram a ser mais felizes. O rei que antes não saía de casa, passou a sair com a família da qual faziam parte aqueles meninos que um dia percorreram uma praia de uma ponta à outra, para verem uma casa cor de rosa que, afinal, era uma cabana...



quinta-feira, 5 de abril de 2012

A PÁSCOA

Para os cristãos, esta é a Semana Santa, em que se celebra a Morte e Ressurreição de Jesus.
Na Quinta-feira  Santa celebramos a última Ceia de Jesus com os seus amigos e a instituição da Eucaristia.
Na Sexta-Feira Santa celebramos a Morte de Jesus na cruz.
E no Domingo de Páscoa celebramos a Ressurreição de Jesus.
Páscoa quer dizer passagem. É a passagem de Jesus da morte para a vida.


Os símbolos da Páscoa


O Ovo de Páscoa
A existência da vida está intimamente ligada ao ovo, que simboliza o nascimento. 

O Coelhinho da Páscoa
Por serem animais com capacidade de gerar grandes ninhadas, sua imagem simboliza a capacidade da Igreja de produzir novos discípulos constantemente.

A Cruz da Ressurreição
Traduz, ao mesmo tempo, sofrimento e ressurreição. 

O Cordeiro
Simboliza Cristo, que é o cordeiro de Deus, e se sacrificou em favor de todo o rebanho. 

O Pão e o Vinho
Na ceia do senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos, para celebrar a vida eterna.

O Círio
É a grande vela que se acende na Aleluia. Quer dizer: "Cristo, a luz dos povos". Alfa e Ômega nela gravadas querem dizer: "Deus é o princípio e o fim de tudo".

(texto de autor desconhecido)

terça-feira, 27 de março de 2012

50º ANIVERSÁRIO DO DIA MUNDIAL DO TEATRO - 27 de Março de 2012

Imagem do Blog do Morumbi
O Dia Mundial do Teatro foi criado, em 1961, pelo Instituto Internacional de Teatro, ligado à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A primeira mensagem do Dia Mundial do Teatro foi escrita pelo escritor e dramaturgo francês Jean Cocteau em 1962. Em 2009, foi escrita pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal. Em 2010, por Dame Judi Dench (Inglaterra). E no ano passado, 2011, pela africana Jessica Atwooki Kaahwa.
 
Este ano a mensagem foi escrita pelo conhecido ator, encenador, argumentista e realizador norte-americano John Malkovich:

«Fico honrado por o ITI - Instituto Internacional do Teatro me ter pedido para fazer este discurso comemorativo do 50º aniversário do Dia Mundial do Teatro. Vou então dirigir estes breves comentários aos meus companheiros de teatro, meus pares e meus camaradas.

"Que o vosso trabalho possa ser apaixonante e original. 
"Que ele possa ser profundo, comovente, contemplativo, e único. 
"Que ele nos ajude a reflectir sobre a questão do que significa ser humano, e que esta reflexão seja guiada pelo coração, sinceridade, candura, e charme. 
"Que consigam ultrapassar a adversidade, a censura, a pobreza e o niilismo, que muitos de entre vós serão obrigados a enfrentar. 
"Que sejam abençoados com o talento e rigor para nos ensinar sobre o batimento do coração humano, em toda a sua complexidade, e com a humildade e curiosidade que faça disto o trabalho da vossa vida.
"E que o melhor de vós próprios - porque só poderá ser o melhor de vós próprios , e mesmo assim apenas em raros e breves momentos – consiga definir a mais fundamental questão “como vivemos nós?”»
 

Profissões no Teatro

Para que uma peça seja levada à cena e a ela possamos assistir com tanto prazer, são necessários o trabalho e dedicação de dezenas de profissionais das mais variadas áreas. Todos eles são muito importantes para que o espetáculo se realize.
Só a título de exemplo, aqui vão indicados alguns dos principais profissionais que participam na criação de um espetáculo teatral:

 Atores - São os Intérpretes dramáticos. 

Solista - Intérprete instrumental ou vocal de uma obra musical

Cantores - São os  Intérpretes vocais. 

Bailarinos - Em regra, na ópera, são contratados para cada produção específica e consoante as necessidades do espectáculo. 

Figurantes  - São estudantes de Canto, Teatro ou Dança e que fazem figuração e pequenos papéis. Os figurantes, regra geral, não cantam, falam ou dançam. 
  
Coro - É o conjunto de interpretes vocais de suporte a uma ópera ou obra musical. 
 
Maestro - É o director musical, é ele quem estabelece as regras, tempos e o carácter musical da obra que se irá interpretar. 
 
Músicos - Podem pertencer a uma orquestra, conjunto ou actuar a solo. Interpretam instrumentalmente a obra musical. 

Encenador - É a pessoa que encena o espectáculo. É a pessoa com mais importância na pirâmide, sendo o criador e responsável pela criação artística, Competem-lhe as decisões da escolha do elenco, dos outros criativos que em conjunto irão criar o espectáculo. É da sua responsabilidade a criação do espectáculo até ao ensaio geral, é ele quem marca a encenação, as entradas dos artistas em cena, as mudanças de cena, o intervalo, etc. Depois do ensaio geral, esta responsabilidade passa para o director de cena

Dramaturgo  - É a pessoa que escreve o texto dramático, vulgarmente chamado também de autor. 

Sonoplasta/sound designer - Criador da banda musical do espectáculo.

Aderecista - É o responsável pela concepção e execução dos adereços de cena (por exemplo, coroas, máscaras, flores, etc.). 

Cenógrafo - Criador da cenografia (que é a arte, técnica e ciência de projetar e executar a instalação de cenários para espetáculos teatrais ou cinematográficos)
Coreógrafo - Criador da coreografia (que é a arte de compor trilhas ou roteiro de movimentos que compõem uma dança).
 
Figurinista - A pessoa que cria e concebe (por vezes em conjunto com a mestra de guarda-roupa) os figurinos do espectáculo. 
 
lIuminador/luminotécnico/light designer - Criador da iluminação. 
 
Ponto -  Está escondido, seguindo o texto e dando deixas aos actores no caso de eles se esquecerem de partes do texto, essencialmente. Apoia durante os ensaios a memorização do texto por parte dos actores. 
 






JOÃO BASTOS - UM ESCRITOR TEATRAL


“Cantiga da Rua” e João Bastos

Da autoria do escritor João Bastos (1883-1957), quem desconhece estes versos singelos e cativantes que a música do maestro António Melo transformou em canção, e que a voz de Milú e de inúmeros outros artistas portugueses tem perpetuado ao longo dos anos?


“ CANTIGA DA RUA

“A cantiga popular ao passar
Todos a julgam banal e afinal
Vai sorrindo à própria dor
Dizendo em trovas de amor
O seu destino fatal

Cantiga da rua, das outras diferente
Nem minha nem tua, é de toda a gente
Cantiga da rua, jamais se habitua
Aos lábios de alguém
Vive independente
É de toda a gente
Não é de ninguém.

A pobreza é mais feliz, porque diz
em voz alta o seu pensar, a cantar
E é à rua que ela vem
como fôra à própria mãe
As suas mágoas contar

Cantiga da rua, veloz andorinha
Não pode ser tua, e não será minha
Cantiga da rua que sobe, flutua
E não se detém
Inconstante e louca
Vai de boca em boca
Não é de ninguém”

Nascido em Lisboa, em Novembro de 1883, João Bastos foi um escritor teatral de grande valor, encontrando-se o seu nome associado a algumas das melhores peças do teatro ligeiro português.

Autor de fecundo e brilhante trabalho, no decurso de cerca de 40 anos de intensa actividade escreveu, sozinho e em parceria, mais de cem peças de todos os géneros, que obtiveram enorme sucesso junto do público e que causam, ainda hoje, admiração e boa disposição a todos quantos, com renovado prazer, têm a oportunidade de a elas assistir.

Da sua pena nasceram as peças "O Costa do Castelo" - de que faz parte a famosa "Cantiga da Rua" - "A Menina da Rádio", "O Noivo das Caldas", "Varanda dos Rouxinóis", "O Menino da Luz" e "O Escorpião", entre muitas outras.

A partir de 1912 formou, com Ernesto Rodrigues e Félix Bermudes, aquela que ficou conhecida como a "Parceria de Lisboa", autora de revistas, operetas, fantasias e argumentos de enorme sucesso, como "O Leão da Estrela", "João Ratão", "Vida Nova", "Conde Barão", "O Amigo de Peniche", "De Capote e Lenço", etc.

Colaborou também com muitos outros escritores teatrais, entre os quais, Xavier da Silva, Álvaro Cabral, André Brun, Henrique Roldão, Bento de Faria, Luiz Galhardo, Alberto Barbosa, Xavier de Magalhães, Pereira Coelho, Hermano Neves, e Lino Ferreira.

Comédias como "O Costa do Castelo", "A Menina da Rádio" e "O Leão da Estrela" (esta última escrita de parceria com Ernesto Rodrigues e Félix Bermudes), deram origem a filmes, realizados por Arthur Duarte - com actuações brilhantes de António Silva, Maria Matos, Milú, Maria Eugénia, Curado Ribeiro, Hermínia Silva, Laura Alves, Artur Agostinho, e tantos outros talentosos actores - que, ainda hoje, a todos divertem e entusiasmam, pela crítica pertinente, humor sagaz e tiradas espirituosas. Canções como "Cantiga da Rua" e fados como "Madragoa" e o "Fado do Ganga" continuam a ser interpretados pelos nossos melhores artistas e acolhidos com imenso agrado.
Foi condecorado, em 27-07-1925, pelo Presidente da República Manuel Teixeira Gomes, com a comenda de Santiago da Espada, e participou, como sócio fundador, da Sociedade Portuguesa de Autores, de cujo Conselho Fiscal foi presidente de 1925 a 1937.

Em 1935, João Bastos partiu para o Brasil com o actor Procópio Ferreira, e aí teve larga actividade como adaptador, empresário, cronista na rádio, etc..

No dia 11 de Julho de 1970, a Câmara Municipal de Lisboa descerrou a placa toponímica que baptiza uma das artérias desta cidade com o nome de Rua João Bastos.

segunda-feira, 26 de março de 2012

A CALÇADA, poesia de Cleonice Rainho


A calçada da minha rua,
de pedra portuguesa,
preta e branca, já se vê,
que é bonita é,
mas não dá pra jogar maré
e eu já descobri por quê...

Tem desenhos lindos:
— Uma estrela que lembra luz
e ilumina meus pés
na sandália que reluz;
— um trevo de quatro folhas
que dizem dar sorte...
Será que dá?
Passo sobre ele
prá lá pra cá.
— Um dragão sossegado
porque não é de verdade.
Se fosse, nos dias de chuva,
saltava da calçada
e ia embora na enxurrada.
Pulo sobre ele: Plim... plom... plão!
Ôi, dragão! Não tenho medo, não!




terça-feira, 20 de março de 2012

21 de Março - DIA MUNDIAL DA POESIA

Cartaz da Biblioteca da Escola Secundária de Amares

O Dia Mundial da Poesia celebra-se a 21 de Março.
Foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO, em 16 de Novembro de 1999.
O seu propósito é promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo.

sábado, 17 de março de 2012

GRANDE HISTÓRIA, conferência de David Christian (TED)


Caso não consiga ver o vídeo correctamente e com legendas em português, poderá vê-lo AQUI

David Christian: Grande História 

Trad. Ilona Bastos

Apoiado por belíssimas ilustrações, David Christian narra a história completa do Universo, desde o Big Bang até à Internet, em 18 minutos fascinantes. Esta é a "Grande História": um olhar esclarecedor e abrangente sobre a complexidade, a vida e a humanidade, em contraponto com a nosso fino quinhão no cronograma cósmico.

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O RESTAURANTE DO JOAQUIM - 2ª Parte, história de Ilona Bastos

 ilustração de Ilona Bastos

Espantados e um pouco desiludidos, os pais do Joaquim mandaram-no para a América, e na NASA foi bem recebido e apreciado o seu trabalho.

Tendo-se tornado necessário reunir uma equipa para descer no planeta Marte, o Joaquim foi nela incluído. Passou por um treino rigoroso e preparou-se até naquelas câmaras que simulam a inexistência de gravidade, onde tudo anda solto pelo ar, dando cambalhotas e reviravoltas: pilotos, esferográficas e papéis!

Pois foi tal o empenho do Joaquim que o escolheram para ser o primeiro homem a pisar Marte. Que grande alegria sentiram os seus pais ao verem o filho, pela televisão, a caminhar no planeta vermelho!

De regresso à Terra, o Joaquim visitou a casa paterna. E o pai, esperançoso, sondou-o:
 - Agora que foste a Marte, o que queres fazer, Joaquim?

O rapaz não hesitou:
- Não desejo mais ser astronauta. Já fui a Marte, e não está prevista a visita a nenhum outro planeta nos próximos anos. Por isso, se continuar na NASA não mais viajarei. Tenho que mudar de vida.

O pai arriscou:
 - Queres, então, tomar conta do restaurante?

O Joaquim sorriu e colocou-lhe a mão sobre o ombro.
- Pai, se não posso ir para o espaço e para as estrelas, como desejava, tenho que conhecer o meu planeta. Quero dar a volta ao mundo.

E os pais lá ajudaram o Joaquim a preparar um barco, pequeno mas sólido, que lhe permitisse navegar os cinco grandes oceanos: o Glacial-Árctico, o Glacial-Antárctico, o Atlântico, o Pacífico e o Índico. A embarcação teria que resistir à fúria dos temporais e às zonas de calmaria em que o vento se recusaria a soprar. O Joaquim iria suportar a solidão, as noites ao leme, sem dormir, o braço de ferro com a imensidão das águas.

Os mantimentos, já se vê, foram fornecidos pelo restaurante. E, assim, completamente equipado, partiu o Joaquim para a viagem à volta do mundo.

Passaram-se os dias, as semanas, os meses, e de quando em quando ouviam-se notícias da odisseia: que o Joaquim aportara numa ilha e contactara os seus habitantes, pertencentes a uma civilização antiga e praticamente desconhecida; que chegara a Nova York e na Grande Maçã fora recebido pelo mayor com enorme pompa e circunstância; que salvara uma tribo de beduínos, junto à costa de África, numa aventura sem igual; que assistira à erupção de um vulcão e ao nascimento de novas ilhas; que, lá para o sul, sobrevivera a um maremoto; que, no oriente, se alimentara de exóticas iguarias, completamente estranhas aos habituais petiscos fornecidos pelo seu pai.

O pai que, evidentemente, ia gerindo e desenvolvendo o restaurante do Joaquim, com enorme zelo e empenho. 

Um ano volvido, regressou o filho pródigo. Que grande entusiasmo para os pais, amigos e conhecidos! Conhecidos que cada vez eram mais, dada a ampla cobertura que os jornais, a televisão e a rádio davam às proezas do Joaquim.

Que expectativa para o pai, que desse filho já tudo esperava!
- Então, meu rapaz, o que tencionas fazer? - perguntou-lhe, quando os festejos terminaram.

O Joaquim manteve o ar sério e impassível de sempre.
- Pai, vou fazer uma expedição ao Himalaia. Quero subir ao Evereste, a montanha mais alta do mundo.


CONTINUA