quinta-feira, 4 de outubro de 2012

DIA MUNDIAL DO ANIMAL


Fonte: Gatos são Perfeitos 

No dia 4 de Outubro, dia de S. Francisco de Assis, celebra-se O Dia Mundial do Animal.

Esta data foi escolhida em 1931, durante uma convenção de ecologistas, em Florença, precisamente porque  São Francisco de Assis é o santo padroeiro dos animais.

O Dia Mundial do Animal é celebrado em vários países, através de vários eventos e iniciativas destinados a recordar-nos de que os animais partilham connosco o planeta Terra.

Com o Dia Mundial do Animal pretende-se
  • Sensibilizar a população para a necessidade de proteger os animais e a preservação de todas as espécies;
  • Mostrar a importância dos animais na vida das pessoas;
  • Celebrar a vida animal em todas as suas vertentes.
 Na verdade, cada um de nós pode fazer alguma coisa para ajudar a proteger os animais:

- nas cidades : podemos proteger os animais de estimação, e cuidar bem deles,  com alimentação, abrigo, cuidados veterinários, não deixando que eles se reproduzam se não tivermos condições para cuidar dos filhotes, e podemos explicar a todos que não se pode abandonar animais sozinhos nas ruas, que eles não conseguem sobreviver sozinhos e correm muitos perigos. 

- nas florestas : não devemos retirar os animais de seu habitat natural, e podemos ajudar a preservar os ecossistemas, a limpeza das águas dos rios; podemos combater a poluição e o desmatamento, as queimadas. 

- respeitando os animais não-domesticados que convivem connosco nas cidades, como os pardais, as lagartixas, as corujas, os sapos, os morcegos, e tantos outros, pois eles são importantes para o equilíbrio natural. 

- pesquisando mais sobre os animais e suas necessidades

- usando a criatividade e a imaginação



Fontes: http://www.morcegolivre.vet.br/dia_mundial_animais.html e http://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-do-animal/

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DIA MUNDIAL DA ARQUITECTURA



 
Comemora-se hoje o Dia Mundial da Arquitectura.

A União Internacional de Arquitetos (UIA) escolheu, para celebrar o Dia Mundial da Arquitetura 2012, o tema 'Os Arquitetos Mudam a Cidade'. Esta escolha relaciona-se  com o movimento iniciado pela Organização das Nações Unidas (ONU) com a campanha urbana mundial denominada 'Melhor cidade, mais qualidade de vida'.

A Ordem dos Arquitectos pretende, nesta data, aderir à campanha 'I'm a city changer' ('Sou um agente de mudança na cidade', em tradução livre), realizada pela ONU-Habitat e para "insistir na urgência de uma Política Pública de Arquitectura em Portugal, enquanto instrumento fundamental para a melhoria e sustentabilidade do ambiente construído das cidades e do território".

 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O MEU POMAR, história de Cecília Meireles

Pintura do blogue Oil Painting


Se eu tivesse um pomar, um pequeno pomar que fosse, não lhe poria grades à roda, como os outros proprietários. Não poria, a guardá-lo, um desses cães enormes, rancorosos, que andam sempre rondando os pomares... 

O meu pomar seria assim: todo aberto, para todos. E, quando o outono chegasse e as árvores ficassem cheias de frutos amarelos e vermelhos, nenhum pobrezinho teria fome, nenhuma criança choraria de sede, passando pelo meu pomar...

E, no inverno, ainda haveria lá onde alguém se abrigasse, quando chovesse muito ou fizesse muito frio...

E se eu tivesse um pomar, ele estaria sempre em festa, cheio de borboletas e de pássaros...

Como eu seria feliz, se tivesse um pomar!


Cecília Meireles

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CHEGADA DO OUTONO, história da Avómi

Outono, foto e montagem de Ilona Bastos


O Verão terminou, chegou o Outono e o Pardal Feliz, esmorecido, dizia ao Pardal Contente:

- Que pena o Verão ter terminado! Éramos tão felizes à roda da piscina! Nem necessitávamos de nos deslocarmos para comer, pois os banhistas eram tão nossos amigos, que nos davam aquelas migalhas saborosas, que nos regalávamos todos. O que será de nós, durante o Outono e o Inverno? Estou deveras preocupado.

- Não te aflijas, Pardal Feliz! - disse o Pardal Contente - Havemos de encontrar uma solução. Para já, não nos podemos queixar, pois ainda não nos faltou comida nem a alegria das crianças à volta da piscina. É certo que o Sol está mais distante e os banhistas vão rareando, no entanto há sempre aqueles que não deixam, pelo facto de ser Outono ou Inverno, de vir diariamente dar o seu mergulho. Para além disso, nós somos privilegiados com todo este arvoredo e tantas flores, pelo que não nos faltarão sementinhas para enchermos as barriguitas.

- Mas aquelas migalhas...! - exclamou o Pardal Feliz, lambendo o biquito - Havemos de ter bem poucas! E de vez em quando as crianças deixavam cair o pãozinho ou o bolinho... Quem se deliciava, éramos nós! Agora as crianças estão a rarear e se aparecem é por pouco tempo, por isso não chegam a comer aqui.

- Paciência, companheiro! - disse o Pardal Contente - Teremos que nos contentar com o que for aparecendo e verás que não morreremos de fome.

O Pardal Alegre que escutava a conversa dos dois amigos, disse:

- Não sei que mais queres, Pardal Feliz. Até tens a sorte de poderes saltitar de galho em galho sem te deslocares para grandes distâncias! Não te preocupes, que nada te faltará.

- Ai meu amigo, tenho tanto medo de deixar de ser feliz!

- Qual carapuça! - exclamou o Pardal Alegre - Até te chamas Feliz, portanto nunca deixarás de o ser.

- Mas poderei deixar de me sentir feliz, o que não tem nada a ver com o nome que me puseram. - disse o Pardal Feliz.

- Não penses nisso, Pardal Feliz! Aqui, no sossego deste canto, ninguém deixará de ser feliz - disse o Pardal Contente - Repara nas árvores. Como vês, estão a perder as folhas, mas continuam a sorrir!


terça-feira, 14 de agosto de 2012

AGOSTO EM LISBOA, poesia de Maria da Fonseca


Pintura de Evelina Coelho


Andamos como formigas
A acarretar para casa,
Enquanto a cigarra canta
Devido ao calor que a abrasa.
 
Querem todos ir de férias
E fugir desta cidade.
Vejo os pombos sequiosos.
Apesar da liberdade,
 
Procuram as poças de água
Da rega do meu jardim,
Para matarem a sede,
Mesmo aqui ao pé de mim.

À medida que avança,
A tarde quente emudece.
Já não se escuta a cigarra
Nem qualquer ave aparece.
 
‘Stamos na hora da sesta
Que a todos no V’rão convida
A remansear um pouco
Nesta Lisboa florida.
 
Eu sempre te quero muito
Em todas as estações,
Para mim bem definidas,
Cheias de recordações.

Mais nossa, mais acessível,
Temos agora a cidade.
Lindo o Agosto em Lisboa.
Longe de ti, só saudade!


segunda-feira, 30 de julho de 2012

O RESTAURANTE DO JOAQUIM - 3ª Parte, história de Ilona Bastos


Pintura de Nicholas Roerich




- Pai, vou fazer uma expedição ao Himalaia. Quero subir ao Evereste, a montanha mais alta do mundo.

E o pai apenas suspirou, sob o olhar compreensivo da mãe.

Nos dias que se seguiram, empenharam-se todos três nos preparativos da viagem, que eram, naturalmente, complicados. Os montes Himalaia ficam muito longe, na Ásia, e, além disso, havia que obter os equipamentos próprios para a escalada, tendo em atenção as baixíssimas temperaturas que se fazem sentir nas grandes altitudes. Isto de subir ao Evereste, o mais alto cume do globo, era façanha de monta. Todos os pormenores deveriam ser cuidadosamente estudados.

Finalmente, chegou o dia da partida. E os pais despediram-se do seu filho que, determinado, largou em busca do topo do mundo.

 Depois, chegaram as notícias espaçadas, como era habitual: de como a subida fora difícil, mas bela; da descrição dos acampamentos onde a neve e o gelo surgiam como únicas companhias; do momento espantoso em que, num esforço final, asteara a bandeira verde-rubra no pico mais alto; da descida íngreme e escarpada; da estadia num convento budista, em retiro espiritual.

E muitos meses depois, longo tempo passado, o Joaquim regressou. Como de costume, vinha calmo e compenetrado, aceitando com tranquilidade o acolhimento entusiástico de que era alvo.

O restaurante embandeirara-se para o receber, e estava completamente cheio. Famílias inteiras tinham viajado de todo o país, em camionetas, de automóvel ou de comboio, só para o avistarem. As crianças ansiavam por um autógrafo do seu herói. Os adultos admiravam a sua bravura.

Os corredores achavam-se apinhados, e nas salas de refeição todos os cantos haviam sido aproveitados. Não havia lugar nem para mais uma pessoa. Todos queriam vê-lo e felicitá-lo. Aguardavam, com expectativa, que o Joaquim desvendasse os seus projectos!

O pai e a mãe, reconfortados pela presença do filho, não cabiam em si de contentes, e desejavam saborear a sua estadia junto deles. É claro que sabiam que o Joaquim ficaria por pouco tempo, como usava fazer, pois já devia ter mais planos para o futuro.




Desta vez, foi ele quem chamou o assunto.
Sentado à mesa do pequeno almoço, com a mãe e o pai, o Joaquim anunciou:

  - Pais, gostei muito da vida que levei até agora e de todas as viagens que fiz. Sonhei ir o mais longe que é possível ir, e viajei até Marte. Desejei conhecer todo o planeta em que vivemos, e visitei cada um dos seus oceanos e continentes.  Quis subir até ao cume mais elevado da Terra, e realizei a escalada. Contudo, percebi que me falta alguma coisa, algo de muito importante, que me é mesmo essencial. Por isso, vou mudar de vida.

- Sim, filho?! - exclamaram os pais, expectantes.

- Vou tomar conta do restaurante e assentar. Preciso de um lar e da vossa companhia.   

Escusado será narrar a alegria daquele casal que tanto amava o seu filho e para ele desejava o melhor!

Como decidira, o Joaquim assentou. Casou lá na terra, teve filhos, acompanhou os pais e tomou conta do restaurante.

O Restaurante do Joaquim tornou-se, afinal, no restaurante mais famoso do planeta, por pertencer ao Joaquim - o homem que pisou Marte, navegou sozinho à volta da Terra, e subiu ao cume mais alto do globo.

Feliz, com os filhos pequeninos nos braços, o Joaquim conta-lhes, por vezes, as suas aventuras. E exorta-os a tomarem conta do restaurante.
Amanhã, pela manhã, já está combinado, o Joaquim vai começar a ensinar os meninos a nadar!


terça-feira, 10 de julho de 2012

A LÍNGUA DE NHEM, poesia de Cecília Meireles


Old Lady - Pintura da Galeria de Arte

dos Estudantes de Snoqualmie Springs School




Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.

E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também
 

A miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
.
 

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,
.

E todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,

ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...