sábado, 20 de novembro de 2010

VIDA DUPLA, poesia de Maria da Fonseca

Pintura de gato, de Geoffrey Tristram

-A gata tem doze anos -
Passa o seu tempo a dormir,
Não incomoda ninguém,
E só tarde vai sair.

- Mas à noite o que fará? -
Parece sempre cansada.
Só acorda pra comer,
E adormece, confiada.

Tapa os olhos co'as patitas
Num assomo de candura.
- A Fofinha é muito linda! -
Diz a Irene com brandura.

O seu pêlo é tigrado,
E mantém-se tão sedoso!
Ao querer dar marradinhas,
Seu miado é carinhoso.

- Andará atrás dos ratos?
Mas não posso acreditar,
Que uma gata tão mansinha
Ande de noite a caçar!

- Pois olhe que pode crer,
A Fofinha, esta beleza,
De que nós tanto gostamos,
Segue as leis da Natureza.

E mal que assim não fosse! -
A gatinha tão formosa
E simpática de dia,
Torna-se, à noite, ardilosa.

1 comentário:

cremilde disse...

Querida Amiga Maria Ilona,
Delicio-me a ler os seus poemas.
Parabéns.
Um abraço amigo,
Cremilde