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terça-feira, 4 de junho de 2013

QUADRAS DE SANTO ANTÓNIO, quadras de Ilona Bastos



  QUADRAS DE SANTO ANTÓNIO


Sant'António, meu santinho,
Devoção que guardo e prezo,
Traz-me paz, amor, carinho,
Por um namorado eu rezo.

Pr'a casar eu já estou pronta,
E um belo enxoval juntei.
No meu coração desponta
O amor com que sonhei.

Inteligente, atrevido,
Belo e jovem, sorridente.
Se p'ra dançar o convido,
Me dá um beijo, contente.

Nestas noites da cidade
Vou brindar ao meu amor,
Às marchas, à amizade,
P'los pátios em festa e flor.


domingo, 19 de maio de 2013

AMIGO, poesia de Ilona Bastos


Imagem do Blogue "Jardim Secreto do Pai"  http://jaquebalbys.blogspot.pt/2011/07/minha-definicao-de-amigo.html

Amigo


Tens de conhecer o meu amigo.
O seu sorriso é como um raio de sol da manhã
que me aquece o coração e ilumina o espírito.

Diz olá com os olhos a brilhar, quando me vê.
E pergunta: Então como estás, meu amigo?

Se estou alegre, ri-se e o mundo à nossa volta torna-se azul.
Sinto-me pássaro, voando em bando, planando livre
pela praia e sobre o mar.

Se estou triste, fala com carinho.
O seu olhar inteligente afasta as nuvens negras.
Os problemas e a dor tornam-se vagos e distantes.
E damos connosco a caminhar sem medo
por uma planície verde e tranquila.

O meu amigo irradia luz e bondade
e o som das suas palavras enche-me de alegria.

Queria tanto ser, também, um amigo assim!


Ilona Bastos

 

"Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença, sem se sentir melhor e mais feliz."

 
Madre Teresa de Calcutá

 

 

 

quinta-feira, 28 de março de 2013

ALELUIA! ALELUIA!, poema de Maria da Fonseca

 
 
 Nesta Páscoa os meus Netos
Querem saber quem é Deus.
Rezar-Lhe o Pai-nosso breve,
De mãos erguidas aos céus.

E a Jesus, que sucedeu?
Ele nasceu no Natal.
Ao Menino pequenino
Quem é que fez tanto mal?

É preciso então dizer-lhes
Que Jesus co’os Pais viveu,
E chegado aos trinta anos
A pregar apareceu.

- Eu Sou a Verdade e a Vida!
Sua alma salvará,
Aquele que me seguir,
E jamais se perderá.

Suas Palavras Benditas
Nem a todos agradaram.
Por isso Ele foi entregue,
Por isso O crucificaram!

Passados foram três dias
Da Sua Morte na Cruz.
Santas Mulheres acorreram
Ao Sepulcro de Jesus.

Mas a Cristo, não O viram,
Seu Corpo não estava lá!
Cumpriu-se o que fora escrito,
O Senhor Reviverá!

Aleluia! Aleluia!
Ressuscitou o Senhor!
Toda a Terra está em Festa,
Jesus Cristo é o Salvador!

Em cada ano que passa,
Como o Natal celebramos,
Também a Ressurreição
Com muito amor veneramos.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

AGOSTO EM LISBOA, poesia de Maria da Fonseca


Pintura de Evelina Coelho


Andamos como formigas
A acarretar para casa,
Enquanto a cigarra canta
Devido ao calor que a abrasa.
 
Querem todos ir de férias
E fugir desta cidade.
Vejo os pombos sequiosos.
Apesar da liberdade,
 
Procuram as poças de água
Da rega do meu jardim,
Para matarem a sede,
Mesmo aqui ao pé de mim.

À medida que avança,
A tarde quente emudece.
Já não se escuta a cigarra
Nem qualquer ave aparece.
 
‘Stamos na hora da sesta
Que a todos no V’rão convida
A remansear um pouco
Nesta Lisboa florida.
 
Eu sempre te quero muito
Em todas as estações,
Para mim bem definidas,
Cheias de recordações.

Mais nossa, mais acessível,
Temos agora a cidade.
Lindo o Agosto em Lisboa.
Longe de ti, só saudade!


terça-feira, 10 de julho de 2012

A LÍNGUA DE NHEM, poesia de Cecília Meireles


Old Lady - Pintura da Galeria de Arte

dos Estudantes de Snoqualmie Springs School




Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.

E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também
 

A miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
.
 

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,
.

E todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,

ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...


segunda-feira, 26 de março de 2012

A CALÇADA, poesia de Cleonice Rainho


A calçada da minha rua,
de pedra portuguesa,
preta e branca, já se vê,
que é bonita é,
mas não dá pra jogar maré
e eu já descobri por quê...

Tem desenhos lindos:
— Uma estrela que lembra luz
e ilumina meus pés
na sandália que reluz;
— um trevo de quatro folhas
que dizem dar sorte...
Será que dá?
Passo sobre ele
prá lá pra cá.
— Um dragão sossegado
porque não é de verdade.
Se fosse, nos dias de chuva,
saltava da calçada
e ia embora na enxurrada.
Pulo sobre ele: Plim... plom... plão!
Ôi, dragão! Não tenho medo, não!




domingo, 25 de dezembro de 2011

O PRESÉPIO, poesia de Maria da Fonseca

Próxima de dar à luz,
Maria foi a Belém.
Ali, ia recensear-se,
E com seu esposo também.

A hora do Nascimento,
Os dois, sabendo-a chegada,
Num ‘stábulo se abrigaram,
Por não acharem pousada.

E, quando o Bebé nasceu,
Em panos foi enfaixado,
E, com o maior carinho,
Na manjedoura, deitado.

A guardar os seus rebanhos,
‘Stavam no campo os pastores,
Quando uma luz resplendeu
Na noite, a causar temores.

Mas um anjo apareceu,
Que logo os tranquilizou:
- Trago-vos boas notícias, -
E assim lhes anunciou:

- Hoje, nasceu em Belém,
Quem o mundo vai salvar.
Muito perto da cidade
O podereis adorar.

Muitos anjos entoavam
Hosanas e Glória a Deus:
- A Paz seja em toda a terra,
A todos os filhos Seus.

Caminho fora, os pastores
Seguiram co’as ovelhinhas,
Tendo encontrado o Menino
Reclinado nas palhinhas.

A vaca mais o burrinho
O amimam, com seu calor.
Seus amantíssimos Pais
Veneram-No com fervor.

Logo, os pastores saíram
A espalhar a Boa Nova.
E dois mil anos volvidos,
Louvamos co’ a mesma trova:

“Glória a Deus nas alturas,
E na terra,
Paz aos homens por Ele amados”.



domingo, 6 de novembro de 2011

OUTONO, poesia de Maria da Fonseca

Anita, Marcel Marlier


Primeiro dia de chuva
O tempo está a mudar.
O chão coberto de folhas
Já nos tem vindo a avisar.


Mui sequinhas e douradas,
Formavam tapete lindo.
O Verão foi muito quente,
O Outono será bem-vindo.


Algumas foram varridas.
E a relva assim descoberta,
Cheia de água e viçosa,
Sente-se agora liberta.


Do claro verde ao castanho,
Há todos os cambiantes.
Minha estação preferida,
Se tudo for como dantes!


Dias límpidos sem mancha
De amena temperatura.
E quintais alaranjados,
Com matizes de verdura.



Sobre MARCEL MARLIER


O autor da ilustração que acompanha este belo poema de Maria da Fonseca é Marcel Marlier, um artista e ilustrador belga nascido a 18 de Novembro de 1930 em Herseaux.
Devo dizer-vos que sou, há muitos anos, uma entusiasta admiradora das belíssimas pinturas e ilustrações de Marcel Marlier.  E por isso aproveito para vos deixar aqui alguns dados sobre a sua vida e obra.
Aos 16 anos, Marcel Marlier ingressou no curso de arte decorativa da Escola Saint-Luc de Tournai, tendo concluído os seus estudos em 1951, com a maior distinção. Dois anos mais tarde regressou à mesma escola como professor.
A editora belga “La Procure à Namur” organizou um concurso de desenho, com a finalidade de encontrar artistas talentosos para ilustrarem trabalhos destinados a crianças em idade escolar. Marcel ganhou o concurso e veio a ilustrar dois livros de estudo – Leitura com Michel e Nicole e Cálculo com Michel e Nicole -, que acompanharam toda uma geração de crianças belgas ao longo dos seus primeiros anos escolares.
Marcel colaborou com essa editora durante mais de vinte e cinco anos.
Desde 1951, a editora belga Casterman mostrou interesse pelo trabalho de Marcel Marlier, e sugeriu-lhe que ilustrasse uma série de livros infantis. O resultado foi a edição dos livros de aventuras de Alexandre Dumas (As cruzadas aventurosas do capitão Pamphile, 1951), da condessa de Ségur (O pequeno de Crac, 1953; Um dia de felicidade, 1960) ou da Madame le Prince de Beaumont (A bela e o monstro, 1973).   Marcel colaborou também na série Farandole, destinada a crianças.
A partir de 1954, Marcel ilustrou os livros da série Martine – em Portugal, Anita -, cujo autor era Gilbert Delahaye. Esta série cobre mais de 50 títulos e encontra-se traduzida em numerosas línguas, incluindo o Português.
Em 1969 Marcel Marlier criou a sua própria série de livros infantis, Jean-Lou e Sophie, de que foram publicados doze albuns.
As pinturas de Marcel Marlier são verdadeiramente encantadoras e mágicas.


Fonte: Casterman


O Mundo d' Anita - Um blog inteiramente destinado à Anita
http://omundodanita.blogspot.com/

sábado, 1 de outubro de 2011

Dia Mundial da Música - 1 de Outubro

MÚSICA


Com esta música não descanso, danço.
Solto meus passos, saio de mim.
Sigo compassos e vou assim,
voam meus braços, prazer sem fim.

Ilona Bastos
  



O primeiro Dia Internacional da Música, organizado pelo Conselho Internacional da Música, aconteceu no dia 1 de Outubro de 1975, de acordo com uma resolução tomada na 15 ª Assembleia Geral, em Lausanne, em 1973.
 
 A intenção deste dia é promover:

    a arte musical, em todos os sectores da sociedade;

    a aplicação dos ideais da UNESCO de paz e amizade entre os povos, da evolução das suas culturas, da troca de experiências e da valorização mútua dos seus valores estéticos;

as actividades do Conselho Internacional da Música, das organizações internacionais que dele sejam membros e dos comités nacionais, bem como a sua política programática em geral.
     

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PÃOZINHO DE CADA DIA, poesia de Maria da Fonseca

Fotografia dos Pardais, Arlete


Grande demais a migalha
Que o pardal debicava.
Rápido e perseverante
O seu filho alimentava.


O pequeno o bico abria
Dando às asas ansioso
Para receber do pai
Pãozinho delicioso.


A cena era comovente
E feliz eu me senti
Por podê-la observar;
No momento 'star ali.


Mas os pombos não deixaram
E um, em voo rasante,
Apanhou-lhes a migalha
Levando-a, pois, de rompante.


Na linda tarde de V'rão
Não vi que houvesse luta.
As aves bicando o chão
Retomaram a labuta.
.
.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

FIM DE AGOSTO, poesia de Maria da Fonseca



Fim de Agosto, fim de férias,
Todos regressam contentes,
Seus hábitos, seus trabalhos,
Reencontros sorridentes.

Na mudança de ambiente,
Houve tempo pr'a pensar.
Numa ânsia de progresso,
A ideia é melhorar.

E sentem-se mais saudáveis,
Com o espírito liberto.
Os projectos variados
Têm seu momento certo.

Os alunos vão pr'a escola,
Com postura impecável.
Os pais muito recomendam,
Mostra de amor incansável.

Surgirá nova matéria,
Que é preciso aprender.
Mas são muito curiosos,
E amigos de mais saber.

Mais um ano escolar,
Um ano da vossa vida,
Com desafios e surpresas,
Esperança renascida.

E tudo correrá bem,
Com vontade e simpatia,
Daqueles que vos ensinam
A vencer no dia a dia.

Será grande o vosso esforço,
E o de todos os demais.
Mas o ano será cumprido,
Por favor não vos temais.

Uma vez chegado ao fim,
Mostraram ser animosos.
Provas dadas de que são
Cumpridores e generosos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

HINO DE AMOR, poesia de João de Deus

Imagem da Internet


Andava um dia
Em pequenino,
Nos arredores
De Nazaré,
Em companhia
De São José,
O Deus-Menino,
O Bom Jesus.
Eis senão quando
Vê num silvado
Andar piando
Arrepiado
E esvoaçando
Um rouxinol,
Que uma serpente
De olhar de luz
Resplandecente
Como a do sol,
E penetrante
Como diamante,
Tinha atraído,
Tinha encantado.

Jesus, doído
Do desgraçado
Do passarinho,
Sai do caminho,
Corre apressado,
Quebra o encanto;
Foge a serpente;
E de repente
O pobrezinho,
Salvo e contente,
Rompe num canto
Tão requebrado,
Ou antes pranto
Tão soluçado,
Tão repassado
De gratidão,
Duma alegria,
Uma expansão,
Uma veemência,
Uma expressão,
Uma cadência,
Que comovia
O coração!


Jesus caminha,
No seu passeio;
E a avezinha
Continuando
No seu gorjeio,
Enquanto o via:
De vez em quando
Lá lhe passava
À dianteira,
E mal pousava,
Não afrouxava
Nem repetia,
Que redobrava
De melodia!

Assim foi indo
E o foi seguindo.
De tal maneira
Que noite e dia
Numa palmeira,
Que havia perto
Donde morava
Nosso Senhor
Em pequenino,
(Era já certo)
Ela lá estava
A pobre ave
Cantando o Hino
Terno e suave
Do seu amor
Ao Salvador!



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A PRAIA, quadras de Ilona Bastos

Praia da Vieira, de Sílvia Patrício


Voam pipa, disco,  bola,
Espuma branca, onda do mar.
Rente à areia macia,
Passa a gaivota, a planar.

Um papagaio descola,
Pula o menino, a brincar.
Ao vento, em doce carícia,
 Vela de barco a vogar.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

DIA DE SANTO ANTÓNIO, quadra de Ilona Bastos


Santo António milagreiro
Roga por nós ao Senhor
Que nos traga mais dinheiro,
Fé, saúde, paz e amor.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A CAMÕES, poesia de Maria da Fonseca




Olhai o nobre Poeta,
A Lírica apaixonada
Duma alma inquieta
Da alma gémea afastada.

Combateu com galhardia
Usando a pena e a 'spada,
Da História fez Poesia,
Lutou pela terra amada.
 
E ao ilustre Português
Dedico este poema,
Lembrando mais uma vez
Seu sofrer, pobreza extrema.

Morreu co'a Pátria nessa hora
Mas Portugal renasceu!
Também 'speramos agora
Que nos ilumine o céu.
 
E o nosso Poeta amado
da lei da morte remido
Continue a ser cantado
Por todo este povo unido!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A PRIMAVERA, poesia de Guerra Junqueiro

 Alphonse Maria Mucha, Espírito da Primavera


Namorou-se uma princesa
Dum pagem loiro e gentil;
Chama-se ela - Natureza,
Chama-se o pagem - Abril.

A Primavera opulenta,
Rica de cantos e cores,
Palpita, anseia, rebenta
Em cataclismos de flores.

O olhar d'oiro das boninas
Contempla o azul: ao vê-las,
Dir-se-ia que nas campinas
Caíram chuvas d'estrelas.

Entre as sebes orvalhadas
Dos rumorosos caminhos
As madressilvas doiradas
Tapam as bocas dos ninhos.

Os negros melros farsantes
Dão risadas zombeteiras
Dos loureirais verdejantes
Nas luminosas trapeiras.

A gentil, mimosa Flora
Abriu os olhos ideais;
Os seus pés da cor da aurora
Andam nus sobre os trigais.

Vai a correr e a atirar
Coas róseas mãos pequeninas
Borboletas para o ar,
Lilases para as campinas.

Polvilha de oiro e de prata
O campo, o bosque, o vergel;
Aos seus lábios de escarlata
Vai buscar a abelha o mel.

Seus peitos entumescidos
São dois montes feiticeiros,
Todos cobertos, floridos
Com selvas de jasmineiros.

Os insectos deslumbrantes, 
Inflamados como brasas,
São ametistas, diamantes, 
São carbúnculos com asas.

Uns, feitos para a batalha,
Tendo a guerra por destino,
Vestiram cotas de malha
De aço e bronze e oiro fino.

Outros, artistas mimosos,
Têm librés resplandecentes
Dos veludos mais preciosos,
Das rendas mais transparentes.

Tudo ri e brilha e canta
Neste divino esplendor:
O orvalho, o néctar da planta,
O aroma, a língua da flor.

Enroscam-se aos troncos nus
As verdes cobras da hera.
Radiosos vinhos de luz
Cintilam na atmosfera.

Entre os loureiros das matas,
Que crescem para os heróis,
Dá o luar serenatas
Com bandas de rouxinóis.

É a terra um paraíso,
E o céu profundo lampeja
Com o inefável sorriso
Da noiva ao sair da igreja.



segunda-feira, 21 de março de 2011

PALAVRAS EM FLOR, poesia de Ilona Bastos

The Chelsea Gardener - Frances Broomfield


Percorro as linhas do meu texto
Como o jardineiro se passeia
Entre os canteiros do seu jardim.

Trato as palavras como se fossem flores.
Se estão murchas, dou-lhes sentido,
Arranco-as sem dó, se são daninhas,
Semeio virgulas com inglória hesitação,
Enterro pontos e vírgulas, pontos finais,
Como estacas a amparar trepadeiras
Orações em crescente entusiasmo.
Caminho serena, ou correndo, vezes inúmeras,
Apreciando o efeito, a cor, a luz, a conclusão.
Volto insistente, buscando gralhas, que as sinto lá
E encontro-as, matreiras, palradoras, bicos em riste
Xô! Fora daqui! Sou espantalho assustador!

O texto é o meu jardim, meu verde campo,
Minhas palavras são minhas dilectas flores.

.



Celebra-se, hoje, dia 21 de Março, o Dia Mundial da Poesia.
Este dia foi criado, na XXX Conferência Geral da Unesco, em 16 de Novembro de 1999, com a finalidade de promover a leitura, a escrita,a publicação e o ensino da poesia através do mundo.


quarta-feira, 16 de março de 2011

SEGREDO, poesia de Miguel Torga

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar... 


domingo, 6 de março de 2011

VAMOS, JUNTOS, FESTEJAR!, poesia de Ilona Bastos

Mónica, da autoria de Maurício


São meninas muito finas
As alegres serpentinas.
São redondos como olhinhos
Os famosos papelinhos.

Todos têm muitas cores
E esvoaçam pelo ar.
Porque agora é Carnaval
Vamos, juntos, festejar!

A Joana é dama antiga.
De cor-de-rosa vestida,
Usa uma touca e sombrinha
E uma saia bem comprida.

O João é um cowboy
Com chapéu de abas largas,
Colete aberto e coldre,
Mãos fincadas nas ilhargas.

Já o Pedro é Super Homem!
Com um grande S no peito.
Na sua capa vermelha,
Sabe mesmo impor respeito.

São redondos como olhinhos
Os famosos papelinhos.
São meninas muito finas
As alegres serpentinas.

Todos têm muitas cores
E esvoaçam pelo ar.
Porque agora é Carnaval
Vamos, juntos, festejar!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CARNAVAL, poesia de Maria da Fonseca

O Paulinho vai de melro
No desfile da avenida.
Entre colegas e fitas,
Brinca na manhã florida.

Todo vestido de negro,
Com seu bico alaranjado,
Vai alegre e dá às asas,
Tem o rosto enfarruscado.

E a sua escola é que ganha
O prémio"Original".
As crianças batem palmas,
- Viva o nosso Carnaval!

A mamã volta contente
Com o petiz pela mão,
- Vamos ter com a Ritinha
Para abraçar seu irmão.