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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A GIRAFA AMIGA, história da Avómi


Girafa do site do Jardim Zoológico de Lisboa

                                          
Encontrámos a Josefa prostrada de cansaço no meio da selva.
Éramos um grupo grande e havíamos partido de casa na véspera, apetrechados com todas as coisas que nos iriam ser necessárias durante um mês, tempo que pensávamos permanecer na selva para um Safari.

Os jeeps iam cheinhos de alimentos, medicamentos, roupas, sabonetes, shampôs, pastas de dentes, sabão, detergentes, panelas, pratos, copos, talheres e até recipientes com água, para, no caso de não a haver por perto nalgum dos locais onde acampássemos, estarmos prevenidos.

O tempo estava quente, mas naquele dia não havia chovido, o que tornou o percurso até ali menos moroso. Percorremos, assim, vários quilómetros, sem quase nos darmos conta.

Como íamos dizendo, a Josefa, uma girafa nossa amiga com quem dialogamos sempre que fazemos um Safari naquela região, estava prostrada, sem forças, estendida no chão, rosto repleto de lágrimas e soluçava sem parar.

- Que se passa contigo, Josefa? - perguntou um dos nossos companheiros, o Duarte.

- Es...tou com so...lu...ços des...de ontem e sin...to...-me can..sa...da. Acho que vou morrer.

- Nem penses nisso! - dissemos todos - Vamos já buscar água, beberás uns golos e passar-te-ão os soluços num instante.

Acalma-te, que voltaremos rapidamente. O Rui ficará contigo, para que te sintas acompanhada - disse eu.

Fomos buscar água, mas quando regressávamos apanhámos um valente susto e metade da água desapareceu dos recipientes, porque começámos a correr, depois de termos ouvido o Rui gritar:

- Fujamos, que há leão!... Fujamos depressa, que ele corre na nossa direcção!

O Rui é muito brincalhão e amigo de fazer partidas. Como em tempos ouviu dizer, que quando alguém está com soluços, a melhor coisa para eles passarem é pregar um susto, não se fez esperar, tanto mais que, ao mesmo tempo que tentava uma solução para o problema da Josefa, pregar-nos-ia uma partida, o que lhe agradaria muito. E assim aconteceu.

A Josefa apanhou tamanho susto, que se levantou repentinamente e fugiu na direcção do Rui. Nós perdemos metade da água que tínhamos ido buscar ao rio.

Só nos apercebemos de que tinha sido mais uma partida do Rui, quando o vimos escondido atrás duma espinheira, rindo perdidamente, e a Josefa de pescoço no ar à procura dele, cheia de medo.

O Rui, depois de fazer a Josefa passar um mau bocado, porque não o via e não sabia para onde fugir, levantou-se e a rir às gargalhadas, perguntou-lhe:

-Passaram-te os soluços, Josefa?

- Ah, já não tenho soluços, mas quero esconder-me do leão. Onde é que o viste? Onde é que ele está? Estou tão assustada que até me passou o cansaço motivado pelo soluços.

- Ó Josefa, não há leão nenhum! - dissemos nós - Foi o maroto do Rui que gosta muito de fazer partidas e, para nos assustar, resolveu dizer que havia leão por perto.

- Não foi só para vos pregar uma partida! - disse o Rui - Foi também para que passassem os soluços à Josefa, o que, como podem ver, resultou. Não é verdade Josefa?

- É verdade! Passaram-me os soluços e não sei como tive força para me levantar e fugir a sete pés. E lembrar-me, que desde ontem me vinha a sentir tão mal por causa dos soluços! Depois deste susto, sem me dar conta, passaram completamente.


- Quem me disse que um susto pode fazer passar os soluços, não mentiu! - exclamou o Rui, muito satisfeito - Eu pensava que era brincadeira, mas é mesmo verdade.

- Vamos então continuar a nossa viagem - disse o Bruno - pois ainda temos muitos quilómetros para percorrer e vai-se fazendo tarde.

- Espero não voltar a ter soluços, senão quem me valerá?

- Se voltar a acontecer, corre para a beira do rio e bebe cinco golos de água, que é outra maneira de fazer passar os soluços.

- Quem me dera viver perto de vós, para poder estar descansada! Vocês arranjam sempre remédio para tudo!

- Não pode ser, mas qualquer dia passaremos outra vez por aqui, para uma conversinha contigo. Agora não podemos perder mais tempo.

Continuámos a nossa viagem e, embora com pena de nos ver partir, a Josefa ficou satisfeita a aguardar a nossa próxima passagem por ali.
       
 
                                                                                                                               Avómi

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CHEGADA DO OUTONO, história da Avómi

Outono, foto e montagem de Ilona Bastos


O Verão terminou, chegou o Outono e o Pardal Feliz, esmorecido, dizia ao Pardal Contente:

- Que pena o Verão ter terminado! Éramos tão felizes à roda da piscina! Nem necessitávamos de nos deslocarmos para comer, pois os banhistas eram tão nossos amigos, que nos davam aquelas migalhas saborosas, que nos regalávamos todos. O que será de nós, durante o Outono e o Inverno? Estou deveras preocupado.

- Não te aflijas, Pardal Feliz! - disse o Pardal Contente - Havemos de encontrar uma solução. Para já, não nos podemos queixar, pois ainda não nos faltou comida nem a alegria das crianças à volta da piscina. É certo que o Sol está mais distante e os banhistas vão rareando, no entanto há sempre aqueles que não deixam, pelo facto de ser Outono ou Inverno, de vir diariamente dar o seu mergulho. Para além disso, nós somos privilegiados com todo este arvoredo e tantas flores, pelo que não nos faltarão sementinhas para enchermos as barriguitas.

- Mas aquelas migalhas...! - exclamou o Pardal Feliz, lambendo o biquito - Havemos de ter bem poucas! E de vez em quando as crianças deixavam cair o pãozinho ou o bolinho... Quem se deliciava, éramos nós! Agora as crianças estão a rarear e se aparecem é por pouco tempo, por isso não chegam a comer aqui.

- Paciência, companheiro! - disse o Pardal Contente - Teremos que nos contentar com o que for aparecendo e verás que não morreremos de fome.

O Pardal Alegre que escutava a conversa dos dois amigos, disse:

- Não sei que mais queres, Pardal Feliz. Até tens a sorte de poderes saltitar de galho em galho sem te deslocares para grandes distâncias! Não te preocupes, que nada te faltará.

- Ai meu amigo, tenho tanto medo de deixar de ser feliz!

- Qual carapuça! - exclamou o Pardal Alegre - Até te chamas Feliz, portanto nunca deixarás de o ser.

- Mas poderei deixar de me sentir feliz, o que não tem nada a ver com o nome que me puseram. - disse o Pardal Feliz.

- Não penses nisso, Pardal Feliz! Aqui, no sossego deste canto, ninguém deixará de ser feliz - disse o Pardal Contente - Repara nas árvores. Como vês, estão a perder as folhas, mas continuam a sorrir!


domingo, 1 de julho de 2012

A CABANA COR DE ROSA, história da Avómi

Pintura de William Charles Perry

 Certo dia, andavam três meninos a fazer corridas numa praia, quando viram, ao longe, uma casinha toda cor de rosa; as paredes eram cor de rosa, as portas eram cor de rosa, as janelas eram cor de rosa e até o telhado era cor de rosa.

Os meninos acharam tanta graça que, curiosos, correram logo para lá, pois queriam ver bem de perto, que casa era aquela. À distância que antes de encontravam, não podiam ver, exactamente, que tipo de casa era, mas quando se aproximaram, viram que se tratava duma cabana tão bonita, que ficaram maravilhados.

A primeira coisa que o Tomás, o Vasco e o Miguel quiseram saber, foi quem vivia naquela cabana, pelo que, bateram à porta. Bateram, bateram, mas ninguém respondeu. Então, resolveram ficar por ali, a brincar, talvez mais tarde aparecesse o dono ou a dona daquela linda cabana.

Já começava a escurecer, quando os meninos avistaram, a uma distância grande, um vulto. Pareceu-lhes uma menina, porém estava tão afastado, que não podiam garantir que fosse. Quando o vulto se aproximou, então sim, depararam com uma linda menina de cabelos e olhos castanhos, vestida de cor de rosa. A menina era tão bonita, que eles ficaram boquiabertos a olhá-la e perguntavam-se, porque viveria ela na praia, mesmo à beira-mar.

A menina também se admirou, quando viu aqueles meninos, àquela hora da noite, a passear pela praia, e perguntou-lhes quem eram e o que faziam ali. Eles responderam, que andavam a brincar na outra extremidade da praia, quando avistaram aquela casa e quiseram aproximar-se, para vê-la de perto, e também para saberem quem ali morava. Como após baterem à porta, constataram que não estava ninguém em casa, decidiram aguardar pela chegada de alguém, por isso ainda estavam ali, apesar da hora tardia. Por sorte, estava um luar que parecia dia e puderam continuar a brincar.

A menina perguntou aos meninos se podia brincar com eles, aqueles responderam que sim, mas que antes, queriam saber a razão por que uma menina tão bonita, estava na praia sozinha e a viver numa cabana. Ela riu-se e respondeu-lhes que não vivia na cabana, que aquela cabana era apenas uma casinha onde tinha muitos brinquedos, numa sala enorme, onde costumava brincar com os seus amigos. Tinha ainda uma sala de refeições, para, após as brincadeiras, ela e os amigos se consolarem a comer uns ricos lanchinhos confeccionados pela cozinheira e pela ajudante.

Pormenor de Postal de 1890


- A cabana parece pequena, mas vocês vão ver... – disse a menina - Vamos então brincar um bocadinho e depois mostro-vos a cabana por dentro.

- É uma ideia óptima – disse um dos meninos – Mas onde é a tua casa? É muito longe daqui?

- Não. – respondeu ela – Vês ali aquela escadinha? Sobe-se a escada e a minha casa é aquela que fica lá em cima, onde há muitas árvores de grande porte. Estão a ver?

- Sim, sim. – responderam todos.

Os meninos estavam cada vez mais admirados, pois aquela casa era um palácio enorme construído entre muralhas e, contava uma lenda, que era habitado por um rei que ninguém conhecia.

- Então vá, vamos brincar. – disse a menina.

- Mas tu és uma princesa!... – exclamou um dos meninos – As princesas não costumam brincar com os meninos pobres como nós! E se os teus pais ficam zangados contigo, por estares a brincar com meninos da rua?

- Não se preocupem. – respondeu a princesa – Eu sei o que faço.

Brincaram, brincaram... Já era madrugada, quando a princesa os levou para a cabana, porque estavam muito cansados e cheios de sono.

Quando entraram na cabana, depararam com uma mesa enorme repleta das iguarias mais variadas, que lhes foram servidas com todo o requinte, por empregados com fardas muito bonitas com galões e botões dourados.

 Terminada a refeição que muito bem lhes soube, os meninos, sob a orientação da menina, começaram a deslocar-se dentro da cabana... Aquilo não era uma cabana, mas sim um palácio. Quem via por fora, pensava que era uma cabana pequenina, mas lá dentro havia uns corredores subterrâneos que os  conduziram a quartos maravilhosos. Eles não queriam acreditar no que estavam a ver, mas o cansaço era grande e logo que chegaram aos respectivos quartos, deitaram-se e adormeceram profundamente.

No dia seguinte acordaram com o toque de uma campainha e levantaram-se ainda ensonados, sem saberem onde estavam, mas a chegada da princesa, logo os fez lembrar o que se tinha passado na véspera. A princesa disse-lhes:

- Venham comigo, pois tenho uma surpresa para todos.

- Uma surpresa?! – perguntou o Tomás – Só estão a acontecer surpresas, desde que chegámos à praia!

- Pois é! – exclamou o Vasco – Temos tido surpresas agradáveis e penso que a princesa nos vai surpreender com alguma coisa boa.

- Como te chamas? – perguntou o Miguel à princesa.

- Chamo-me Carlota – respondeu a princesa. A surpresa que eu tenho para os meus amigos é a seguinte:

- Vocês disseram-me ontem, que vivem na rua, e eu fiquei a pensar nisso. Como tenho uma casa muito grande e quartos suficientes para todos, estão convidados a viver nesta casa, com todo o conforto que ela tem para vos oferecer. Serão ensinados pelos meus professores, farão parte da minha família. Os meus pais ficarão muito contentes, quando lhes anunciar que a nossa família vai aumentar. Eles gostavam de ter muitos filhos, mas infelizmente, isso não aconteceu. Eu também gostava de ter irmãos, porém sou filha única, por isso, ficaremos todos satisfeitos, já que penso que vocês aceitarão com agrado, a minha proposta.

  
 Aguarela de António José Baptista


- Aceitamos e agradecemos muito, linda princesa. – disse o Miguel, abraçando-a. – Esta foi a melhor surpresa que tive em toda a minha vida, assim como os meus amigos. Nós nunca tivemos família nem sabemos quem são os nossos pais.

- Estou a sonhar!... – exclamou o Vasco – isto não é verdade! Esta princesa é a fingir, assim como este palácio, a cabana...

- Não estás a sonhar, não. – disse a princesa – É tudo verdade.

- Não acredito! – acrescentou ainda o Tomás – Tu deves ser uma fada que nos apareceu e daqui a pouco desapareces e lá se vão os nossos sonhos por água abaixo.

- De modo nenhum! – continuou a princesa – Vou já levar-vos junto dos meus pais, para que fiquem a conhecê-los.

Caminharam por corredores e corredores, subiram escadas e escadas, a princesa foi-lhes mostrando todas as divisões, até que, finalmente, chegaram a uma sala onde se encontravam os pais da princesa e, esta disse-lhes.

- Estes meninos não têm família nem casa onde morar. Vivem na rua e eu queria que eles viessem para a nossa casa e fizessem parte da nossa família.

Os ilustres Senhores, após longa conversa com os meninos e depois de terem a certeza que eles queriam mesmo ficar a viver naquela casa e a fazer parte da família, chamaram os empregados do palácio, para serem apresentados aos novos moradores e também para ordenarem que preparassem os aposentos destinados a cada um deles.

Dali em diante, os moradores daquele palácio passaram a ser mais felizes. O rei que antes não saía de casa, passou a sair com a família da qual faziam parte aqueles meninos que um dia percorreram uma praia de uma ponta à outra, para verem uma casa cor de rosa que, afinal, era uma cabana...



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A RAPOSA PREGUIÇOSA, história da Avómi

Era domingo e a Gazela e a Raposa conversavam, enquanto davam um passeio.

- Hoje é véspera de segunda-feira. - disse a Gazela.
- Eu sei - disse a Raposa.
- Eu sei que tu sabes, mas estou a lembrar-me, que amanhã terei que me levantar muito cedo, porque tenho muitas coisas a fazer - disse a Gazela.
- Eu sei - disse de novo a Raposa.
- Eu sei que tu sabes, mas estou a lembrar-me, que talvez possas dar-me uma ajuda. - acrescentou a Gazela.
- Ah... Não posso! Amanhã tenho um compromisso. - disse a Raposa.
- E na terça-feira? - perguntou a Gazela.
- Na terça feira tenho outro compromisso. - respondeu a Raposa.
- Ah, sim, percebo... - disse a Gazela com desdém.
- Eu sei que tu percebes, por isso nem devias pedir-me ajuda. - disse a Raposa.

Gazela-dorcada, do Site Saúde Animal

- Eu só queria que te tornasses útil. - continuou a Gazela.
- E sou! - disse a Raposa com ar enfatuado.
- Qual carapuça! Tu, útil?! Nem digas semelhante coisa, que parece mal! - disse a Gazela, já irritada com a Raposa.
- Isso é que sou! - insistiu a Raposa. - Senão repara: Amanhã logo pela manhã irei à caça com os meus amigos; eles caçarão e eu far-lhes-ei companhia.
- Não esperava que fizesses outra coisa! - exclamou a Gazela com ar de troça.
A Raposa acrescentou ainda:
- É costume os meus amigos prepararem uma boa refeição após a caçada e enquanto isso acontece, durmo sempre uma soneca.
- Para isso tu serves. - disse a Gazela - O pior é se a soneca se prolonga e ficas sem almoço, o que seria bem feito, para deixares de ser preguiçosa.
- Isso é que não fico, porque os meus amigos conhecem-me bem e hão-de acordar-me quando tudo estiver preparado. Só terei que lavar as mãos e sentar-me à mesa - disse a Raposa com ar zombeteiro.
Após o almoço costumamos dar um passeio pela margem do rio, onde as bonitas árvores fazem uma sombra que dá gosto. Normalmente canso-me a meio do caminho e volto a dormir deitadinha à sombra duma árvore, enquanto eles andam, andam... para, segundo dizem, fazerem a digestão.
Eu cá não preciso de fazer digestão nenhuma, preciso é de descansar.

- Tens razão! Precisas de descansar as fadigas de quem nada faz, não é? És mesmo descarada - disse a Gazela, indignada. - Que dirão aqueles que trabalham desde manhã até à noite?

- Esses não se cansam, por isso é que trabalham - disse a Raposa a sorrir.

- Bem, de ti não há nada a esperar. - disse a Gazela - Contudo não quero entrar em conflito, mas tão só dizer-te, que és o animal mais preguiçoso que conheci em toda a minha vida. Porém, é estranho que assim sejas, porque os teus pais e os teus irmãos são bastante trabalhadores.

- Pois, por isso mesmo é que não preciso de trabalhar! - disse a Raposa esfregando as mãos de contente - Só se fosse pateta! Adoro sentar-me a olhar os outros enquanto trabalham. Às vezes os meus irmãos irritam-se e chamam-me capataz, mas não me importo. Também ficam furiosos quando dou sugestões que, diga-se em abono da verdade, nem sempre são frutuosas.

Um dia destes saí-me mal e apanhei um valente susto, porque um dos meus irmãos atirou-me com um prato, quando eu, muito bem refastelada numa cadeira, lhe dizia como devia pôr a mesa. E mais... que a pusesse depressa.

Por sorte, ele não teve pontaria e o prato foi estatelar-se no chão e ficou em fanicos.
- Estás a ver? - disse a Gazela - O teu irmão teve razão para se zangar contigo. Claro que não acho bem que te tenha atirado o prato, pois isso não se deve fazer, mas lá que devem perder a paciência contigo, acredito.
Mas agora reparo, é tardíssimo!... Vou, mas é para casa, pois quero fazer umas coisas ainda hoje. O meu tempo tem que ser bem orientado ou não me chegará para fazer tudo que programo para cada dia.

- Continua a proceder assim e não descanses, e verás o que te vai acontecer. - disse a Raposa - Olha que quem te avisa teu amigo é!
Continua a trabalhar, que eu continuarei a descansar, minha amiga.

- Eu não digo que, contigo, não há nada a fazer?!...- disse ainda a Gazela.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A HISTÓRIA DA GLÓRIA, história da Avómi


Imagem da Internet

A Ritinha gosta muito de histórias, sabe algumas e gosta muito das histórias que a mãe conta:

Livrinho amarelo
gancho no cabelo
Ritinha conta
histórias que encanta

Muito inteligente
também divertida
faz rir toda a gente
e é muito amiga

logo pela manhã
acorda a mamã
- Conta uma história!
aquela da Glória!

Então a mãe conta-lhe a história da Glória:

Mãe - A Glória é uma menina de quatro anos que está numa Creche, porque a mãe trabalha e não pode dar-lhe assistência durante o dia.

Rita - É como eu, não é mamã?

Mãe - É sim, minha filha! Posso continuar?

Rita - Sim, mamã, que eu gosto muito das tuas histórias!

Mãe - Logo pela manhã vai o pai ou a mãe levá-la à Creche, despedem-se com um beijinho e vão para os seus empregos.

Rita - Para ganhar dinheirinho, não é mamã?

Mãe - Claro, Ritinha! A menina já sabe que é! Interrompe tantas vezes, que daqui a pouco vou esquecer-me da história.
 
Rita - Pronto, mamã! Prometo que não interrompo mais.

Mãe - A Glória fica tristinha quando vê os pais partir, mas começa a brincar com as outras crianças e distrai-se. De vez em quando chegam-lhe as saudades e pede à Educadora para telefonar à mamã, porque a mamã deve estar com saudades.
A Educadora acha muita graça, uma vez por outra faz-lhe a vontade e delicia-se a ouvir o diálogo que é o seguinte:

- "Mamã, quando é que vens buscar-me? Estou a brincar muito bem com as minhas amigas e com os meus amigos, mas às vezes também me apetece brincar contigo e com o papá! Não sei porquê, mas sinto saudades!...
Ó mamã, quando logo me vieres buscar e formos para casa, brincas comigo às mães e filhas? Olha, eu vou ser a mãe, está bem? Faço o almocinho, o jantarinho, ponho a mesa... Tu ajudas-me, mamã?"

- "Ajudo! - diz a mãe do outro lado - Mas logo conversaremos melhor. Agora temos que desligar. A mamã tem que fazer e a menina também! Beijinho e até logo, Glória."

- "Até logo, mamã! Vem cedo! Diz ao papá para vir também, para brincarmos todos."

- "Está bem, minha filha! Até logo!..."

A Glória desliga o telefone muito contente e vai a correr contar à Educadora toda a conversa que teve com a mãe. Depois corre para os companheiros, conta-lhes também e acrescenta:

- "Eu brinco muito com o papá e a mamã! Eles contam-me histórias muito bonitas e eu conto-lhes as que sei. Conto sempre aquelas histórias que a nossa Educadora, a Isabel, costuma contar-nos aqui na Creche, e eles gostam muito. Todos os dias me pedem para lhes contar uma história nova.
Lembram-se daquela do Passarinho de Oiro? Hoje vou pedir à mamã para ma contar. Como já lha contei há muito tempo, quero ver se ela ainda se lembra. A mamã é tão esquecida! Às vezes, no dia seguinte já não se recorda do que me tinha prometido na véspera.

Nós sabemos histórias muito bonitas, porque a Isabel sabe muitas e tem muito jeito para as contar! Aquela do Passarinho de Oiro foi-nos contada por ela, ainda éramos bem pequeninos! Lembram-se? Ela até teve que a contar muitas vezes!...
Quando sairmos da Creche para irmos para a Escola Primária, havemos de ter saudades da nossa Educadora que é tão nossa amiga!..."

- "Sim, sim! Havemos de ter muitas saudades da Isabel, mas poderemos vir visitá-la, de vez em quando. - disseram os outros meninos."

Mãe - Termina aqui a História da Glória. Gostou?

Rita - Gostei muito, mamã, mas cá para mim essa História da Glória parece igualzinha ao que se passa comigo na Creche! Tu não inventaste, nem nada!?!...

- Não, minha filha! Não inventei, mas existem histórias muito parecidas com a realidade, por isso não admira que te identifiques com a Glória.


sábado, 2 de julho de 2011

A OVELHINHA MANHOSA, história da Avómi

Ovelha - Imagem do Blogue Locks Park Farm


Estava um dia de sol e a Cabrinha Saltarica não queria perder nem uma réstia. Como não gostava de estar quieta, andava a saltaricar sobre as pedras e viu a Ovelhinha Manhosa que fugia assustada. Com curiosidade, perguntou-lhe:

- Para onde vais neste dia tão bonito, com esse ar assustado, Ovelhinha Manhosa?

- Não digas nada, Cabrinha Saltarica, mas vou tentar esconder-me, porque andam por aí uns senhores a cortar a lã às ovelhas e não quero que me façam o mesmo.

- Não queres que te façam o mesmo? Ora essa! Então queres andar com a lã a arrastar pelo chão, com esse aspecto tão feio?

- Prefiro, porque já uma vez me cortaram a lã e andei uns tempos a tiritar de frio. Não estou para isso.

- Tu é que sabes, mas acho que fazes mal, Ovelhinha Manhosa.

- O que eles querem, é vender a minha lã para fazer casacos, mas nessa é que eu não caio. Iam ficar os outros com casaquinhos quentinhos, feitos com a minha lã e eu cheia de frio, não?! Era o que faltava! Pensam que são espertos, mas enganam-se, pois eu sou bem mais esperta que eles.

- Mas olha lá, Ovelhinha Manhosa, a tosquia acontece todos os anos na época própria e a lã volta a crescer, por isso não compreendo o teu receio! Olha que é para teu bem!

- Não tens nada que compreender. Eu é que sei da minha vida, e com a minha lã ninguém há-de andar aquecido.

- Estás a ser egoísta, Ovelhinha Manhosa.

Cabra - Imagem do blogue True Wild Life
 
Passado algum tempo, a Cabrinha Saltarica subia a encosta aos saltinhos, toda contente, encontrou uma ovelha muito gorda, muito feia e suja. A lã dela arrastava pelo chão e mal podia mexer-se.

A Cabrinha Saltarica fez os possíveis por passar bem longe dela, pois estava tão suja e cheirava tão mal, que metia nojo.

Era a Ovelhinha Manhosa, mas devido ao seu estado e à modificação que sofrera, a Cabrinha Saltarica não a reconheceu. Contudo, a Ovelhinha Manhosa reconheceu imediatamente a Cabrinha Saltarica e disse:

- Não me cumprimentas, por eu estar feia e doente, já sei.

- Ah, és tu! Desculpa, mas não te reconheci. Com efeito, estás mesmo feia! Eu bem te dizia, mas não quiseste crer!

- Ai, Cabrinha Saltarica, nem sabes quanto tenho sofrido! Se és minha amiga, por favor, arranja-me depressa um tosquiador, que já não aguento mais com tanto peso e o calor dá cabo de mim.

- Agora é impossível, dado que não é a altura das tosquias. Terás que esperar, porque se fosses tosquiada nesta altura, não aguentarias o frio do Inverno que se aproxima. No entanto, vou falar com o Senhor Francisco que é o tosquiador das ovelhas do meu dono e veremos o que ele diz, mas acho que me dará razão.

- Se visses como as Ovelhas lá da quinta estão bonitas!...

- Não desanimes, Ovelhinha Manhosa! Ainda que não seja possível seres tosquiada agora, o pior tempo já passou. Tens que ter paciência e aguentar mais um pouco. Cá para mim, isso é castigo de Deus pelo teu egoísmo e terás mesmo que aguentar até à próxima época.
 
De futuro já sabes, que as coisas quando acontecem, é por alguma razão e não voltarás a esconder-te na altura das tosquias, visto que, não só prejudicas os outros, mas também a ti própria.

sábado, 2 de abril de 2011

A FORMIGUINHA BRANCA E A MINHOCA COR-DE-ROSA (CONT.), história da Avómi

Patchwork - composição de imagens retiradas da internet


Passou um certo tempo e um dia a Formiguinha Branca encontrou a Minhoca Cor-de-rosa, que se dirigia a casa apressadamente, carregada de compras.

A Formiguinha Branca ficou muito admirada pelo desembaraço da Minhoca e dirigiu-se a ela, dizendo:

- Olá, Minhoca Cor-de-rosa! Que grande saco levas! Não sei como podes com ele! Forte sou eu e acho que não conseguiria transportar um saco tão pesado.

- Ai, minha amiga, nem te digo nada! Tenho tido tanto que fazer, que me descuidei com as compras, por isso trago isto tudo. Venho apressada, porque quero ter o almoço pronto a horas. Detesto atrasar-me seja para o que for.

A Formiguinha Branca ficou de boquinha fechada, sem saber que dizer e a Minhoca Cor-de-rosa continuou:

- Emudeceste, não é verdade? Imagino! Quando me conheceste eu não era assim, mas depois de ter falado contigo, passei a ser uma excelente dona de casa. Até as minhas amigas ficam admiradas. Posso dizer-te, Formiguinha Branca, que nunca mais me interessei com o que se passa nos outros lares e a verdade é que agora tenho a minha casa bem arrumada e quando quero qualquer coisa, sei onde ir buscar. É certo que trabalho muito, mas é compensador. E mais, eu não sabia fazer nada e agora não tenho qualquer dificuldade em fazer seja o que for. Até já sei cozinhar, imagina!
A propósito Formiguinha Branca, queres dar-me o prazer da tua companhia para o almoço?

A Formiguinha Branca, admirada, convencida que estava a sonhar, não respondeu logo.

- Estás a ouvir-me, Formiguinha Branca? - perguntou a Minhoca Cor-de-rosa.

- Estou, estou! - respondeu a Formiguinha, atrapalhada - Desculpa ter-me distraído, mas estava a pensar...

- Imagino o que estarias a pensar, mas convidei-te para almoçar! - disse a Minhoca Cor-de-rosa.

- Não, obrigada! Estou de passagem e não quero demorar-me. - respondeu a Formiguinha Branca.

- Dar-me-ias muito prazer, minha amiga! - disse a Minhoca - Vá, vem daí que não te arrependerás, pois irás verificar com os teus próprios olhos, como acatei e beneficio dos conselhos que me deste naquele dia.

- Hoje não, minha amiga, porque tenho um compromisso. Virei outro dia, com muito gosto. - disse a Formiguinha - Mas não é preciso ir a tua casa, para acreditar que seguiste o meu conselho! Basta olhar para a tua cara, para me certificar da tua mudança; até pareces mais feliz.

- Sem dúvida, Formiguinha Branca, sou muito feliz! - disse a Minhoca - A minha curiosidade só foi útil, porque te conheci e me deste uma boa sarabanda, o que nunca me tinham feito antes. Bendita hora! No mesmo dia jurei que havia de me modificar e deixar de querer saber o que se passava na casa alheia. Naquela época nunca tinha tempo para nada e andava sempre cansada. Agora tenho tempo para tudo. Gostava muito que visses a minha casa, Formiguinha Branca! Até dá gosto viver nela.

- Hoje não posso, mas virei amanhã. Pode ser amanhã? Não te faz diferença?

- Pode, pode! Quanto mais cedo, melhor.

No dia seguinte a Formiguinha Branca levantou-se muito cedo, arrumou a casa, tomou o seu banhinho, arranjou-se e foi, como tinha prometido, a casa da Minhoca Cor-de-rosa, que a recebeu com todo o requinte.

A Formiguinha Branca gostou muito da casa da Minhoca Cor-de-rosa, pois estava tão asseada e arranjada, que dava gosto ver.

A partir de então passaram a visitar-se e ficaram muito amigas.



domingo, 13 de fevereiro de 2011

A FORMIGUINHA BRANCA E A MINHOCA COR-DE-ROSA, história da Avómi



Era uma vez uma Formiguinha Branca. Era tão branca, tão branca, que as outras Formiguinhas ficavam admiradas a olhar para ela e interrogavam-se por que não seriam brancas assim.

Um dia a Formiguinha branca descia a escada de sua casa, muito atarefada (andava sempre atarefada) e encontrou uma Minhoca Cor-de-rosa, muito bonitinha que, lentamente, subia a escada.

- Onde vais? - perguntou-lhe a Formiguinha Branca.

- Disseram-me que vive aqui uma Formiguinha Branca muito asseada, que tem sempre a casa muito limpinha e arrumada, e faz uns petiscos muito saborosos, de modo que resolvi vir cá espreitar, para ver se é verdade o que dizem, e até pode ser que ela me ofereça algum petisquinho!

- Mas agora reparo! A Formiguinha Branca deves ser tu! Pelas indicações que me deram, és tu mesma, pois disseram-me que há apenas uma Formiguinha Branca!

- Sim, sou eu. - respondeu a Formiguinha Branca com ar sisudo. Por que é esse espanto todo por eu ser a única Formiguinha Branca? Eu ainda não me espantei por tu seres uma Minhoca Cor-de-rosa, apesar de nunca antes ter visto outra dessa cor!

- Ah, eu sou muito curiosa! A minha curiosidade é tão grande, que já não durmo há uns dias a pensar na melhor maneira de te procurar, não só para te conhecer, mas também para conhecer a tua casa, pois as minhas amigas dizem que a tens muito arrumada e limpa. Logo havia de encontrar-te no caminho e agora já não posso ir até lá! A menos que não te importes de ma mostrar!

- E para que queres saber se tenho a casa arrumada e o que se passa na minha casa? O que tens tu a ver se eu tenho a casa arrumada ou desarrumada, limpa ou suja? Ora essa, não sabes que é feio ser tão curiosa? Porque não te distrais a passear ou a arrumar a tua própria casa? Se tens o hábito de andar por aí a ver o que se passa nas casas dos outros, de certo não tens tempo para cuidar da tua. Terei razão ou não?

A Minhoca Cor-de-rosa ficou muito vermelha e envergonhada, pôs-se a pensar e disse:

- Na verdade não tenho a minha casa muito bem arrumada. Até me acontece frequentemente não encontrar as coisas que procuro, mas isso é porque não tenho tempo. Não sei porquê, o tempo desaparece e nunca consigo ter as minhas coisas em ordem. Quando chega a noite fico com tanto sono, que não resisto e tenho que ir dormir.

- Experimenta deixar de ser curiosa e terás tempo disponível para fazeres as tuas coisas - disse a Formiguinha Branca.

- Acho que vou aceitar o teu conselho, Formiguinha Branca! Pensando bem, já não quero ir a tua casa, já que depois de te conhecer não tenho dúvidas de que o que me disseram a teu respeito é verdade. És um bom exemplo a seguir.

Até qualquer dia e gostei muito de te conhecer!

- Até qualquer dia! - respondeu a Formiguinha Branca.