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quinta-feira, 28 de março de 2013

ALELUIA! ALELUIA!, poema de Maria da Fonseca

 
 
 Nesta Páscoa os meus Netos
Querem saber quem é Deus.
Rezar-Lhe o Pai-nosso breve,
De mãos erguidas aos céus.

E a Jesus, que sucedeu?
Ele nasceu no Natal.
Ao Menino pequenino
Quem é que fez tanto mal?

É preciso então dizer-lhes
Que Jesus co’os Pais viveu,
E chegado aos trinta anos
A pregar apareceu.

- Eu Sou a Verdade e a Vida!
Sua alma salvará,
Aquele que me seguir,
E jamais se perderá.

Suas Palavras Benditas
Nem a todos agradaram.
Por isso Ele foi entregue,
Por isso O crucificaram!

Passados foram três dias
Da Sua Morte na Cruz.
Santas Mulheres acorreram
Ao Sepulcro de Jesus.

Mas a Cristo, não O viram,
Seu Corpo não estava lá!
Cumpriu-se o que fora escrito,
O Senhor Reviverá!

Aleluia! Aleluia!
Ressuscitou o Senhor!
Toda a Terra está em Festa,
Jesus Cristo é o Salvador!

Em cada ano que passa,
Como o Natal celebramos,
Também a Ressurreição
Com muito amor veneramos.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

AGOSTO EM LISBOA, poesia de Maria da Fonseca


Pintura de Evelina Coelho


Andamos como formigas
A acarretar para casa,
Enquanto a cigarra canta
Devido ao calor que a abrasa.
 
Querem todos ir de férias
E fugir desta cidade.
Vejo os pombos sequiosos.
Apesar da liberdade,
 
Procuram as poças de água
Da rega do meu jardim,
Para matarem a sede,
Mesmo aqui ao pé de mim.

À medida que avança,
A tarde quente emudece.
Já não se escuta a cigarra
Nem qualquer ave aparece.
 
‘Stamos na hora da sesta
Que a todos no V’rão convida
A remansear um pouco
Nesta Lisboa florida.
 
Eu sempre te quero muito
Em todas as estações,
Para mim bem definidas,
Cheias de recordações.

Mais nossa, mais acessível,
Temos agora a cidade.
Lindo o Agosto em Lisboa.
Longe de ti, só saudade!


domingo, 25 de dezembro de 2011

O PRESÉPIO, poesia de Maria da Fonseca

Próxima de dar à luz,
Maria foi a Belém.
Ali, ia recensear-se,
E com seu esposo também.

A hora do Nascimento,
Os dois, sabendo-a chegada,
Num ‘stábulo se abrigaram,
Por não acharem pousada.

E, quando o Bebé nasceu,
Em panos foi enfaixado,
E, com o maior carinho,
Na manjedoura, deitado.

A guardar os seus rebanhos,
‘Stavam no campo os pastores,
Quando uma luz resplendeu
Na noite, a causar temores.

Mas um anjo apareceu,
Que logo os tranquilizou:
- Trago-vos boas notícias, -
E assim lhes anunciou:

- Hoje, nasceu em Belém,
Quem o mundo vai salvar.
Muito perto da cidade
O podereis adorar.

Muitos anjos entoavam
Hosanas e Glória a Deus:
- A Paz seja em toda a terra,
A todos os filhos Seus.

Caminho fora, os pastores
Seguiram co’as ovelhinhas,
Tendo encontrado o Menino
Reclinado nas palhinhas.

A vaca mais o burrinho
O amimam, com seu calor.
Seus amantíssimos Pais
Veneram-No com fervor.

Logo, os pastores saíram
A espalhar a Boa Nova.
E dois mil anos volvidos,
Louvamos co’ a mesma trova:

“Glória a Deus nas alturas,
E na terra,
Paz aos homens por Ele amados”.



domingo, 6 de novembro de 2011

OUTONO, poesia de Maria da Fonseca

Anita, Marcel Marlier


Primeiro dia de chuva
O tempo está a mudar.
O chão coberto de folhas
Já nos tem vindo a avisar.


Mui sequinhas e douradas,
Formavam tapete lindo.
O Verão foi muito quente,
O Outono será bem-vindo.


Algumas foram varridas.
E a relva assim descoberta,
Cheia de água e viçosa,
Sente-se agora liberta.


Do claro verde ao castanho,
Há todos os cambiantes.
Minha estação preferida,
Se tudo for como dantes!


Dias límpidos sem mancha
De amena temperatura.
E quintais alaranjados,
Com matizes de verdura.



Sobre MARCEL MARLIER


O autor da ilustração que acompanha este belo poema de Maria da Fonseca é Marcel Marlier, um artista e ilustrador belga nascido a 18 de Novembro de 1930 em Herseaux.
Devo dizer-vos que sou, há muitos anos, uma entusiasta admiradora das belíssimas pinturas e ilustrações de Marcel Marlier.  E por isso aproveito para vos deixar aqui alguns dados sobre a sua vida e obra.
Aos 16 anos, Marcel Marlier ingressou no curso de arte decorativa da Escola Saint-Luc de Tournai, tendo concluído os seus estudos em 1951, com a maior distinção. Dois anos mais tarde regressou à mesma escola como professor.
A editora belga “La Procure à Namur” organizou um concurso de desenho, com a finalidade de encontrar artistas talentosos para ilustrarem trabalhos destinados a crianças em idade escolar. Marcel ganhou o concurso e veio a ilustrar dois livros de estudo – Leitura com Michel e Nicole e Cálculo com Michel e Nicole -, que acompanharam toda uma geração de crianças belgas ao longo dos seus primeiros anos escolares.
Marcel colaborou com essa editora durante mais de vinte e cinco anos.
Desde 1951, a editora belga Casterman mostrou interesse pelo trabalho de Marcel Marlier, e sugeriu-lhe que ilustrasse uma série de livros infantis. O resultado foi a edição dos livros de aventuras de Alexandre Dumas (As cruzadas aventurosas do capitão Pamphile, 1951), da condessa de Ségur (O pequeno de Crac, 1953; Um dia de felicidade, 1960) ou da Madame le Prince de Beaumont (A bela e o monstro, 1973).   Marcel colaborou também na série Farandole, destinada a crianças.
A partir de 1954, Marcel ilustrou os livros da série Martine – em Portugal, Anita -, cujo autor era Gilbert Delahaye. Esta série cobre mais de 50 títulos e encontra-se traduzida em numerosas línguas, incluindo o Português.
Em 1969 Marcel Marlier criou a sua própria série de livros infantis, Jean-Lou e Sophie, de que foram publicados doze albuns.
As pinturas de Marcel Marlier são verdadeiramente encantadoras e mágicas.


Fonte: Casterman


O Mundo d' Anita - Um blog inteiramente destinado à Anita
http://omundodanita.blogspot.com/

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PÃOZINHO DE CADA DIA, poesia de Maria da Fonseca

Fotografia dos Pardais, Arlete


Grande demais a migalha
Que o pardal debicava.
Rápido e perseverante
O seu filho alimentava.


O pequeno o bico abria
Dando às asas ansioso
Para receber do pai
Pãozinho delicioso.


A cena era comovente
E feliz eu me senti
Por podê-la observar;
No momento 'star ali.


Mas os pombos não deixaram
E um, em voo rasante,
Apanhou-lhes a migalha
Levando-a, pois, de rompante.


Na linda tarde de V'rão
Não vi que houvesse luta.
As aves bicando o chão
Retomaram a labuta.
.
.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

FIM DE AGOSTO, poesia de Maria da Fonseca



Fim de Agosto, fim de férias,
Todos regressam contentes,
Seus hábitos, seus trabalhos,
Reencontros sorridentes.

Na mudança de ambiente,
Houve tempo pr'a pensar.
Numa ânsia de progresso,
A ideia é melhorar.

E sentem-se mais saudáveis,
Com o espírito liberto.
Os projectos variados
Têm seu momento certo.

Os alunos vão pr'a escola,
Com postura impecável.
Os pais muito recomendam,
Mostra de amor incansável.

Surgirá nova matéria,
Que é preciso aprender.
Mas são muito curiosos,
E amigos de mais saber.

Mais um ano escolar,
Um ano da vossa vida,
Com desafios e surpresas,
Esperança renascida.

E tudo correrá bem,
Com vontade e simpatia,
Daqueles que vos ensinam
A vencer no dia a dia.

Será grande o vosso esforço,
E o de todos os demais.
Mas o ano será cumprido,
Por favor não vos temais.

Uma vez chegado ao fim,
Mostraram ser animosos.
Provas dadas de que são
Cumpridores e generosos.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A CAMÕES, poesia de Maria da Fonseca




Olhai o nobre Poeta,
A Lírica apaixonada
Duma alma inquieta
Da alma gémea afastada.

Combateu com galhardia
Usando a pena e a 'spada,
Da História fez Poesia,
Lutou pela terra amada.
 
E ao ilustre Português
Dedico este poema,
Lembrando mais uma vez
Seu sofrer, pobreza extrema.

Morreu co'a Pátria nessa hora
Mas Portugal renasceu!
Também 'speramos agora
Que nos ilumine o céu.
 
E o nosso Poeta amado
da lei da morte remido
Continue a ser cantado
Por todo este povo unido!

quarta-feira, 23 de março de 2011

BRINCADEIRA DE CRIANÇA, poesia de Maria da Fonseca

O Pássaro, de Ilona Bastos

De entre o espesso arvoredo
Saem tontos os pardais. 
Seu piar tão assustado
Comunica-se aos demais. 

Surgem a dar às asinhas,
Redondos, acastanhados.
Erguem-se, rapidamente,
E partem, desaustinados. 

Não ganharam para o susto.
Por causa de uma criança,
Os seus galhos favoritos
Perderam a segurança.

Na copa da grande árvore
Repousavam escondidos.
Vi-os chegar à tardinha,
Às dezenas, divertidos.
 
Lestos pousaram nos ramos,
Aonde os segui co'a vista.
Sumiram por entre as folhas,
E... perdi a sua pista.

Logo mais ao pôr do Sol,
Vão voltar, em chilreada,
Para ocupar seus lugares,
Na árvore abandonada.

Dia 23 de Março.
Hoje comemora-se o Dia Mundial da Meteorologia.
Neste post do Blogue Mulheres Fenomenais, poderás encontrar um interessante artigo sobre o assunto

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CARNAVAL, poesia de Maria da Fonseca

O Paulinho vai de melro
No desfile da avenida.
Entre colegas e fitas,
Brinca na manhã florida.

Todo vestido de negro,
Com seu bico alaranjado,
Vai alegre e dá às asas,
Tem o rosto enfarruscado.

E a sua escola é que ganha
O prémio"Original".
As crianças batem palmas,
- Viva o nosso Carnaval!

A mamã volta contente
Com o petiz pela mão,
- Vamos ter com a Ritinha
Para abraçar seu irmão.

sábado, 11 de dezembro de 2010

TEMPO DE NATAL, poesia de Maria da Fonseca

Walking to School, pintura de Veronika Nagy


Saem, de mochila às costas,
Os dois maninhos felizes.
A manhã está radiosa.
E co’os Pais, vão os petizes.


Tempo de Natal é frio.
Mas prà escola vão contentes,
O Vasquinho mais a Sara,
A sonhar co’os seus presentes.


As ruas, cheias de vida!
As montras, tão enfeitadas,
Atraem nossas crianças,
Que as contemplam, fascinadas.


- O helicóptero vermelho!
Vou pedi-lo ao Pai Natal.
A Mãe olha, atentamente,
Pra onde o Vasco faz sinal.


A Sara encosta-se ao vidro,
Pra ver o homem aranha,
Que, entre diversos brinquedos,
Assume posição estranha.


- Já são nove e vinte e cinco,
Temos de andar mais depressa,
A aula vai começar,
E a Mamã também tem pressa.


E todos vão muito alegres
Nesta quadra tão festiva.
O Menino vai nascer
Em ternura sempre viva!


sábado, 20 de novembro de 2010

VIDA DUPLA, poesia de Maria da Fonseca

Pintura de gato, de Geoffrey Tristram

-A gata tem doze anos -
Passa o seu tempo a dormir,
Não incomoda ninguém,
E só tarde vai sair.

- Mas à noite o que fará? -
Parece sempre cansada.
Só acorda pra comer,
E adormece, confiada.

Tapa os olhos co'as patitas
Num assomo de candura.
- A Fofinha é muito linda! -
Diz a Irene com brandura.

O seu pêlo é tigrado,
E mantém-se tão sedoso!
Ao querer dar marradinhas,
Seu miado é carinhoso.

- Andará atrás dos ratos?
Mas não posso acreditar,
Que uma gata tão mansinha
Ande de noite a caçar!

- Pois olhe que pode crer,
A Fofinha, esta beleza,
De que nós tanto gostamos,
Segue as leis da Natureza.

E mal que assim não fosse! -
A gatinha tão formosa
E simpática de dia,
Torna-se, à noite, ardilosa.

sábado, 16 de outubro de 2010

A JOANA E O PARDAL, poesia de Maria da Fonseca



A Joana vem da loja
E pára pra descansar.
No início da escada,
Precisa de respirar.

Mas, de repente, que há?
O piar de um passarinho
Desperta sua atenção.
Olha em redor com carinho.

Por entre as folhinhas verdes
Vê no lancil da escada,
Saltitar um pardalito,
A começar a escalada.

A cada pulo que dá,
Vai soltando seu piar.
E a jovem, encantada,
Sobe os degraus devagar.

Chegam ao topo da escada
A par e passo irmanados,
A Joana vai para casa
E o pardal para os relvados.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

AS CIGARRAS, poesia de Maria da Fonseca



Vocês gostam de calor

Olhem que eu não tanto assim.

Fujo pra casa agastada,

Nem olho pró meu jardim.


O vosso cantar estridente

É prenúncio de quentura.

Ó cigarra cantadeira,

A formiga te censura.


Sem pensar no frio Inverno

Passas o Verão a cantar

Em vez de guardar sustento

Prós filhos alimentar.


Terá La Fontaine razão

Na fábula que criou?

Eu sinto-me a formiga

Que arrecada o que achou.


Queima o Sol na varanda

Enquanto eu estendo a roupa

E tu cantas, cantas sempre,

Agora que faço a sopa.


O Senhor nos fez assim

Cada um com uma missão

E à cigarra destinou

Que cantasse no Verão.





sábado, 12 de junho de 2010

DEVANEIO DA PRIMAVERA, poesia de Maria da Fonseca


.....O Sol a aquecer os ninhos
.....E a brisa a abanar os ramos
.....Acordam os passarinhos
.....Na Primavera que amamos.

.....Como nos dais alegria
.....A cantar no arvoredo
.....A ternura que extasia
.....Pássaros de manhã cedo.

.....Todo o dia encantais
.....Quem vos ouça chilrear
.....Às dezenas os pardais
.....Outros com melhor cantar.

.....Às quatro horas certinhas
.....Andais p’la relva contentes
.....É dádiva das vizinhas
.....Pãozinho fresco e sementes.

.....E à tardinha nos lares
.....Inda é maior o gorjeio
.....Entendei-vos p’los piares
.....Juntinhos em devaneio?!



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

SERÃO, poesia de Maria da Fonseca




Sou parceira do meu neto,
Que gosta de jogar cartas.
-Tiago, toma cuidado,
Não te ponhas com bravatas!

- Mas não temos pano verde,
Nem a mesa é quadrada.
Porém há muita alegria,
Lá vai mais uma jogada!

No meio da animação,
A avó está, é, com azar.
Não adianta, portanto,
Com o Tiago ralhar!

A mãe vai jogar a carta.
Com seu sorriso maroto,
O filho corta-lhe a vaza,
Mas não cai em saco roto!

O pai, parceiro da mãe,
Não deixa passar o ás,
E é ver a reacção
Do nosso amado rapaz!

Nesta noite agradável,
Os pais estão a ganhar.
Mas logo ali combinamos
Amanhã nos desforrar!

E a família se despede,
- Uma noite bem feliz -.
O meu neto sai alegre
A levantar o nariz!
.
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domingo, 9 de agosto de 2009

AS ROLINHAS, poesia de Maria da Fonseca

Fotografia de edthomas, em Digiforum
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As rolinhas, que eu conheço,
Têm penas matizadas
De cinza, branco e castanho.
Têm asas bem lançadas

E as cabecinhas redondas.
Muito vivos os olhitos
Vêem tudo o que se passa.
Brilhantes são seus biquitos.

E tendo em conta o seu nome,
Arrulham com alegria,
Desde que vêm o Sol
Até terminar o dia.

A rola chama-se Juju,
O menino é o Tiago.
A este lindo casal
Ele dá o seu afago.

A Primavera chegou,
A Juju pôs um ovinho.
E as duas meigas rolinhas
Nunca deixaram o ninho.

Ficava o rolo de noite
Sobre o ovinho sentado.
De dia sentava a rola
Sobre o filho desejado.

Um dia estalou o ovo,
Logo seus pais acorreram
A ajudar a avezita,
Que depressa esconderam.

- Já têm o seu bebé!
Grita o Tiago contente,
Desejoso de espreitar
A rolinha mais recente.

Vê-se através da penugem
O seu corpinho rosado,
Sua cabeça é redonda
E o olhinho bem fechado.

Mas o casal de rolinhas
Não deixa seu filho ver,
Muito bem aconchegado
Para não arrefecer.

Com o bico o alimentam,
Dão-lhe da sua comida.
É preciso que ele cresça
E se prepare prà vida.

O Tiago admirado,
Nas rolinhas reconhece
O grande apego dos pais,
Que seu filho lhes merece.

No seu pensar de criança,
Está bem certo o petiz,
- Os paizinhos dão o apoio
Prò filho crescer feliz.

No mundo em que nós vivemos,
Esta é uma lei natural.
O amor como o dos pais,
Não há outro amor igual!
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

OS GANSOS, poesia de Maria da Fonseca

The Goose Girl (The Duck Pond), circa 1890
by
Camille Pissarro
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Como a tarde cai amena
Sobre o parque da cidade!
Seu lago é cheio de vida
E seu perfume é saudade.

A deslizar sobre a água
Vão os cisnes elegantes,
Enquanto os lindos patinhos
Andam à volta, inconstantes.

São os risos das crianças
E a brincadeira das aves,
A quem elas dão comida,
Duas notas bem suaves.

Mas atenção, de repente
Ouvem-se gritos na margem.
Aparecem quatro gansos
Vindos de trás da folhagem.

Eles estão lado a lado
Com seu ar de importância.
Levantam as suas asas
E olham com arrogância.

Num ápice estão no lago
A nadar com decisão.
Seus gritos tão estridentes
Quebraram minha ilusão.

Ficou um ganso na relva!
Um filhote que parou,
Mostrando um certo receio,
À água não se lançou.

Volta o parque da cidade
À sua alegre harmonia,
E volta o meu coração
A aceitar a fantasia.
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

A PANTUFA DO RICARDO, poesia de Maria da Fonseca



Ficou bem na nossa casa,
A pantufa do Ricardo.
Por sinal ‘stava escondida,
Onde sempre, as minhas, guardo.

Como choraste, Menino,
Por não achares a pantufa!
Procuraste incomodado
Numa grande lufa-lufa.

O teu Anjinho da Guarda
Não quis que ninguém a achasse.
Foi uma procura em vão,
Para que ela cá ficasse.

Qual é dos teus dois irmãos
O que faz mais travessuras?
Qual deles o mais traquinas
A aumentar tuas agruras?

Terá sido o Miguel gémeo
Que arranjou esta embrulhada?
Aprendeu “arruma, arruma”,
E a acção associada!

Ou o David, mais velho,
Que gosta de te assustar,
De pregar sua partida,
Só para te arreliar?

Ricardo, eu nunca me esqueço
De vós, meus queridos Netos.
Mas, a pantufa ficou
Pra recordar meus afectos.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

TROVAS DE S. JOÃO, poesia de Maria da Fonseca

Localização: Sanhoane
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Na noite de S. João
A minha terra querida
Salta prà rua a brincar
‘Squece as agruras da vida.

Desce do trono e vem já
S. João, meu grande Amigo,
Larga a tua ovelhinha
E vem prà festa comigo.

Na noite de S. João
Toda a gente anda a brincar
Bate bate martelinho
Mas sempre sem magoar.

A seguir ao Santo António
Vem o nosso S. João.
Muita alegria na praça
E em cada coração.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

O MELRO CANTA BONITO, poesia de Maria da Fonseca


De plumagem toda negra,
E com seu bico amarelo,
O melro canta bonito
Nas ameias do Castelo.
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Nesta época do ano,
Dedica a sua canção
A uma fogosa parceira,
Com alegria e paixão.
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Logo que a vê, corre atrás
Procurando alcançá-la.
Suas perninhas velozes
Tentam em vão apanhá-la.
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A fêmea levanta voo
E deixa triste o seu par.
A ingrata não foi sensível
Ao mavioso cantar!
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