sexta-feira, 5 de junho de 2020

domingo, 5 de abril de 2020

BELO LIVRO DE ILUSTRAÇÕES DE SÔNIA MENNA BARRETO


A “Casa Sônia Menna Barreto” disponibilizou o seu primeiro livro de ilustrações para colorir. 

Agora, as crianças, os adolescentes, e seus pais podem ter contacto com arte e também divertir-se, colorindo este maravilhoso livro!

A pintora Sônia Menna Barreto postará desenhos prontos feitos pelas crianças. Para tanto mande ou  marque no
Instagram @soniamennabarreto


O download do livro pode ser feito em:

terça-feira, 17 de março de 2020

AS BORBOLETAS - Poema de Vinícius de Moraes

Salvador Dalí

AS BORBOLETAS

Rio de Janeiro, 1970

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!


Vinicius de Moraes

terça-feira, 10 de março de 2020

O BONÉ DO TÓ MANÉ - poema de Ilona Bastos


Retrato de Camille Roulin, por van Gogh (1888).
 Museu van Gogh, Amsterdão.


O Tó Mané tem um boné
Que usa sempre, todo o dia.
Corre o Mané e faz banzé,
Gritando alto com alegria.

O vento vem e sopra forte,
Rodopiando, rouba o boné.
Chora o Mané e faz banzé
Clamando: Que triste sorte!


Pelo jardim, foge o boné,
Até a um ninho ele ir parar.
Pula o Mané e faz banzé,
O seu boné tem que salvar!

O passarinho leva um susto,
As asas bate, voa o boné.
Tomba o Mané e faz banzé,
Põe-se de pé a grande custo.


Sobre o telhado paira o boné
Como bandeira a se agitar.
Geme o Mané e faz banzé,
Salta que salta pr’a lhe chegar.

Desamparado, o boné cai
Pela conduta da chaminé.
Berra o Mané e faz banzé,
Desiludido, para casa vai.


E conta à mãe: O meu boné
Fugiu, voou, levou-o o vento,
Caiu, depois, pela chaminé,
Triste ficou meu pensamento.


Tomando o filho pela sua mão,
Foram ao quarto do Tó Mané,
E lá na lareira estava o boné
Enfarruscado, cor de carvão.


Surpreendido, o Tó Mané
Beijava a mãe e até sorria.
Brinca o Mané, já sem banzé,
Usa o boné com alegria.


quarta-feira, 4 de março de 2020

VISITA AO ZOO - 1ª Parte - poesia de Maria da Fonseca




- Amanhã vamos ao Zoo,
Vamos ver os animais,
Podem brincar no Jardim -
Prometeram os seus Pais.

Com risos e muitas palmas,
Os quatro irmãos festejaram.
Contentes e excitados, 
Muito felizes ficaram.

A Joana e o Tiago,
Apesar de mais velhinhos,
Nem sequer conseguem ser
O modelo dos maninhos.

O David muito esperto
Faz parceria co'a Rita.
Todos comeram a sopa,
Só a pensar na visita.

É lindo o Jardim Zoológico, 
Com espécies variadas.
Vindas de todo o planeta,
Sempre muito bem tratadas.

E foi vê-los, no outro dia, 
Regressarem do Jardim.
Apesar do seu cansaço,
'Inda falavam assim:




- Gostei muito das girafas,
Graciosas, as vedetas.
- Têm o pelo amarelo,
Cheiinho de manchas pretas!

- E o pescoço tão comprido!
Podem comer facilmente,
as folhas tenras das árvores -
Disse a Mãe que está presente.

- Têm de ir para a caminha,
Amanhã é dia de aulas -
E a conversa não parou
- Mas, e os macacos nas jaulas?

- Não, esses são os gorilas -
Explica lesta a Joana
- Eles podem ser p'rigosos,
Mas também comem banana.



- Na aldeia, os macaquinhos,
É que passam bem o dia,
Brincalhões e curiosos,
Todos guincham de alegria.

- Para mim são os mais giros -
Dizia a Rita, encantada.
Saltando de casa em casa,
Não acertam na morada.

As crianças todas riram,
E a Mãe, apertando os lábios,
- Vamos lá mas é deitar,
Amanhã falam os sábios!

Esta alusão aos mais velhos,
Fez calar a pequenada.
- Não esquecer o Pai Nosso,
E, uma noite descansada...



segunda-feira, 2 de março de 2020

A BAILARINA - poesia de Cecília Meireles



A bailarina


Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.


Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.


Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá


Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.


Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.


Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.


Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

 

Cecília Meireles

domingo, 10 de dezembro de 2017

É NATAL, poesia de Ilona Bastos

Imagem da internet

             É NATAL

                  Ilona Bastos

          
            É Natal, faz muito frio
            o céu está azul e o vento
            sopra e passa a tiritar.

           As árvores bem aprumadas
           de altas copas penteadas
           não tremem no ar vazio
           nem parecem vacilar.
           Mas, de noite enregeladas,
           pelas manhãs prateadas
           (cessa a neve de cair)
           murmuram agradecidas:
           - Bendito sol, vens sorrir!

           Na igreja tocam sinos.
           As crianças de cachecóis
           alegres entoam hinos,
           chilreando os rouxinóis.
           Chega a noite de Natal
           e as famílias reunidas
           junto à lareira a rezar
           com amor vivem sentidas
           esta data especial.

           Madrugada de gelar
           tomba a neve, ladra o cão.
           Novo dia, a pequenada.
           Escura noite atapetada.
           Nasce o sol, apaga a neve.
           Vem o lume p’ró pinheiro.
           Vem a água p’ró ribeiro,
           a primavera, o verão
           o outono e                       
                               Dlim, Dlão!

          O inverno já chegou.
          É Natal, faz muito frio
          o céu está azul e o vento
          sopra e passa a tiritar...


           Lisboa, 1974