domingo, 19 de julho de 2009

A FLAUTA MÁGICA, história da Avómi



Era um barulho ensurdecedor na capoeira e ninguém sabia porquê.

- Có, có, ró, có, có, có,
có, có, ró, có, có, có,
có, có, ró, có, có, có...

O Senhor Pinto, já cansado de ouvir tanto barulho, saiu de casa e foi até à capoeira, que era ao fundo da quinta.

Estava uma noite péssima, e chovia torrencialmente. O vento abanava as árvores e, mal o Senhor Pinto se descuidou, virou-se-lhe o guarda-chuva e ficou molhado que nem um pintainho, mas nem por isso deixou de ir à capoeira, para tentar por termo à guerra que lá existia.

Quando lá chegou, ficou todo arrepiado, porque aquilo era um pandemónio; desde penas pelo ar, peles arrancadas, pernas partidas, havia tudo que lhe desagradava. Muito zangado, entrou na capoeira, mas por mais que gritasse para se fazer ouvir, as galinhas não o ouviam e continuavam aos pulos, picando-se umas às outras com o seu có, có, ró, có, có ensurdecedor.

O Senhor Pinto, furioso, sem conseguir aquietar as galinhas que além de se picarem umas às outras, ainda o picavam no meio daquela confusão, saiu, voltou a casa e disse à mulher:

- Ó mulher, não sei que hei-de fazer! As galinhas estão todas loucas e não consegui sossegá-las. Vai lá tu, que és mais paciente e talvez consigas alguma coisa.

A Senhora Pinta, muito senhora do seu nariz e convencida que resolvia todos os problemas, disse:

- Claro que vou conseguir! Tu não conseguiste, porque não usaste a cabeça para pensar. Bastava que tivesses levado a tua flauta e tivesses tocado aquelas melodias lindíssimas, que tão bem sabes tocar, e elas ficariam logo quietinhas.

- Achas que daria resultado, mulher?

- Claro que sim, homem! Os animais gostam de música! Quem é que não gosta de te ouvir tocar flauta, marido? Se fores até à capoeira com a tua flauta e proporcionares às galinhas uns momentos de bela música, garanto-te que ficarão deliciadas e paradinhas a escutar. É certo que, depois de tamanha revolução, muitas delas devem estar feridas e há que tratar delas, mas irei contigo, levarei a malinha dos medicamentos, e enquanto tu tocas flauta, eu vou pegando uma a uma, para tratar os ferimentos.

Estou a pensar, que o causador daquelas guerras, é aquele galo grande que comprámos há dias! Antes elas davam-se tão bem!

- És capaz de ter razão, mulher!

- Tenho, tenho, não tenhas dúvida! Mas para termos a certeza absoluta, vamos experimentar tirá-lo de lá e logo veremos.

Dirigiram-se ambos à capoeira, a Senhora Pinta com a mala dos medicamentos e o Senhor Pinto com a flauta mágica que, pelo caminho, começou a tocar. Quando chegaram ao galinheiro, já as galinhas estavam sossegadas e a beber água nos bebedouros, para refrescarem os bicos.

A Senhora Pinta começou imediatamente a tratá-las, pois estavam todas feridas, e o Senhor Pinto foi tocando uma linda melodia, para as acalmar.

Depois de todas as galinhas tratadas, retiraram o galo da capoeira e daí em diante não houve mais guerra entre os galináceos.

Ah, esquecia-me de dizer que o Senhor Pinto, apesar da paz que passou a haver na capoeira, continua a ir tocar lindas músicas, para distrair as galinhas. Sempre que isso acontece, elas ficam tão quietas e fascinadas, que causam admiração.
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2 comentários:

Rita disse...

muito engraçada a história!! bjs da neta da avo mi!!

Rita disse...

eu gosto muito de vir ler as historias deste blog.. mas nem sempre tenho tempo para comentar!!! bjs e continuem neta da avo mi ... Rita Vaz