domingo, 14 de junho de 2009

A CEBOLINHA MAZONA, história da Avómi

Era já tarde, quando a Cebolinha Mazona deixou, finalmente, de fazer chorar o Patinho Cozinheiro.

Era um martírio! Todos os dias o Patinho Cozinheiro chorava. Chorava antes do almoço, antes do jantar... Sempre culpa da Cebolinha Mazona! Mal ele lhe tocava com a faca, fazia-lhe respingar seu suco para os olhos e o Patinho Cozinheiro chorava, chorava... até parecia que tinha uma dor muito grande. Coitadinho do Patinho Cozinheiro só deixava de chorar nos intervalos das refeições que fazia, e estava a ficar com os olhos cansados.

Assim que o Patinho Cozinheiro chegava à cozinha e punha o avental, começava a ficar triste e pensava:
- Hei-de arranjar maneira de picar cebola sem que ela me faça chorar.

Todos os dias pensava a mesma coisa, todos os dias chorava e nunca arranjava maneira de fazer aquele trabalho, sem que a Cebolinha Mazona o fizesse chorar.

Certo dia, estava o Patinho Cozinheiro lavado em lágrimas, entrou na cozinha o Ratinho Curioso...
- Que tens, Patinho Cozinheiro? Estás tão triste! Porque choras tanto? Quem te fez mal?
- Ninguém me fez mal, nem estou triste. A Cebolinha Mazona é que me faz chorar sempre que lhe toco. Mal lhe toco com a faca, salpica-me os olhos com o seu suco e acontece isto que vês.

- Olha, Patinho Cozinheiro, não digas nada a ninguém, para não dizerem que eu costumo vir espreitar, mas às vezes escondo-me ali atrás daquela panela grande, e espreito para observar o que se faz na cozinha. Sobretudo, acho muito interessante aquele Cozinheiro muito grande, com um ar importante e um chapéu branco muito alto. Uma das coisas que observei, é que ele, quando pica a cebola, molha-a muito bem, deixa-a ficar debaixo de água um bocado, e assim, quando a pica, já não chora.

- Não me faças rir! - disse o Patinho Cozinheiro - Eu sou cozinheiro há tantos anos e nunca ouvi dizer tal coisa!

- Podes crer que é verdade, - disse o Ratinho Curioso - porque há dias ouvi o Cozinheiro dizer ao Ajudante, que fizesse isso. Ele fez e eu vi com os meus olhos, que não deitou uma lágrima que fosse, e picou a cebola num instante.

O Patinho Cozinheiro calou-se, mas ficou com ar de quem não estava a acreditar nada na lição do Ratinho Curioso. Porém, ficou a pensar e a dizer de si para si:
- Ainda hei-de experimentar! Mas vou fazê-lo sem dizer ao Ratinho Curioso, não vá ele ainda fazer troça de mim por o ter acreditado.

- Estás muito calado! - disse o Ratinho Curioso - Não sei porquê, mas quere-me parecer que estás a pensar no que te disse, e estás com receio que te esteja a enganar. É verdade, não é?

O Patinho Cozinheiro que não gostava nada de mentir, disse:
- É verdade. Por acaso estava mesmo a pensar isso! No entanto, considero-te um bom amigo e penso que não me pregarias uma partida dessas, pois não, Ratinho Curioso? Livra-te! Se descubro que me queres enganar, nunca mais te deixarei entrar na cozinha para comeres aqueles bocadinhos de queijo tão delicioso, que costumo dar-te.

- Ó Patinho Cozinheiro, tu achas que o Ratinho Curioso enganaria o seu melhor amigo? Não penses uma coisa dessas, que me entristece muito! Julgava que tinhas mais confiança em mim!
- Lá confiança em ti, tenho, mas como és muito brincalhão!...

- Não, meu amigo! Com coisas sérias não se brinca, e custa-me muito ver-te chorar, quando estás a fazer aqueles cozinhados tão apetitosos. Cheiram tão bem! E também sabem, pois aqui para nós... Não sei se te diga!

- Diz, diz! Para alguma coisa somos amigos! - disse o Patinho Cozinheiro.

- Às vezes não resisto aos teus pitéus. É um cheirinho!... Escondo-me atrás da tal panela, para ver onde põem a comida que sobra, fico à espera que todos saiam da cozinha, e depois...
- Depois o quê? - perguntou o Patinho Cozinheiro.

- Depois vou pé ante pé e delicio-me com uns manjares que nem imaginas. - disse o Ratinho Curioso - É certo que, estou sempre com um bocado de receio de fazer barulho a roer e de ser apanhado em flagrante, mas tenho tido sorte. Eu sei que aquela comida não vai ser comida por ninguém, mas se me apanham na cozinha ainda me armam uma ratoeira, e será um caso sério.
- Tem cuidado, Ratinho Curioso! Gosto muito de ti e não quero ver-te sofrer! Esconde-te bem, e não faças barulho, enquanto houver aqui pessoas.

- Está bem, Patinho Cozinheiro, ouvi o teu conselho e agradeço a tua amizade!
- Então adeus, Ratinho Curioso! Também agradeço a tua lição e a tua amizade!
- Adeus Patinho Cozinheiro! Segue o meu conselho e deixarás de chorar.
Um dia destes passarei por cá e dir-me-ás se resultou.
- Adeus, amigo Ratinho Curioso!!!...

Dali por diante, o Patinho Cozinheiro deixou de chorar, porque seguiu o conselho do Ratinho Curioso e deu-se muito bem. Nunca mais chorou nem uma lágrima.

Mais tarde, voltaram a encontrar-se e o Patinho Cozinheiro disse ao Ratinho Curioso, que nunca mais chorou, quando pica cebola.

O Ratinho Curioso ficou muito vaidoso, por ter sido ele a ensinar aquele truque ao Patinho Cozinheiro.

1 comentário:

Denise Poenise Severgnini disse...

Oi Ilona!Passei para conhecer o blog...No momento, estou com uma gripe muito forte, que não medeixa fazer nada.Logo, verei textos e desenhos dos meninos.bjinhos d.