quinta-feira, 11 de junho de 2009

GABY NA CIDADE, história de Ilona Bastos (ouvir e ler)


Gaby morava numa quinta, numa bela casa antiga. As janelas da sala deitavam para um pátio cheio de sol, onde a menina brincava todas as manhãs. Logo depois, havia um carreiro, pelo qual a Gaby corria livremente até ao jardim. E, no jardim, então, encontrava-se de tudo: desde flores tão, tão minúsculas, que era necessário semicerrar os olhos para conseguir vê-las bem, até às árvores mais gigantescas e frondosas.

Quando a Gaby passeava com a avó Luiza, por entre os canteiros, esta ensinava-lhe os nomes das flores:
- Olha! Aqui, estão as violetas. Aquelas, ali, são as margaridas. E, além, é o cantinho das rosas, dos narcisos e dos jacintos.

No pomar, a Gaby gostava de colher os pêssegos, as maçãs e as laranjas que pendiam dos ramos mais baixos das árvores, ou apanhar os frutos que, de tão maduros, tinham caído no solo.
- Vai, vai, Gaby! – dizia a avó Luiza, – Apanha tudo o que puderes. E não te esqueças da cesta para trazeres a fruta, que será a nossa sobremesa.



Com o avô António, a Gaby visitava o galinheiro e ajudava o caseiro José a dar milho às galinhas e aos pintainhos. Alimentava os coelhos com cenouras e couves. E fugia dos gansos ruidosos, sempre a bater as asas e a grasnar!

Havia ainda um cão, o Tim, um cocker spaniel dourado, de longas orelhas. Era muito alegre e meigo, e seguia a Gaby por toda a casa, sempre a abanar a sua cauda pequenina.

À tardinha, quando os pais chegavam, a Gaby e o Tim corriam à porta para os receber. Os avós saudavam-nos, felizes. Era uma festa! Abraços e beijos, saltos e latidos excitados! A vida na quinta era maravilhosa!

Certo dia, porém, os pais da Gaby resolveram mudar-se para a cidade. Embora gostassem de viver no campo, e apreciassem imenso a companhia do avô António e da avó Luiza, entendiam que chegara o momento de partir.

João, o pai da Gaby, era engenheiro, e tinham-lhe oferecido um bom emprego na cidade. A mãe, Ana, que era arquitecta, iria trabalhar com o marido. Projectariam belos edifícios, pontes e jardins. E estariam juntos durante uma boa parte do dia, o que muito os alegrava. Quanto à Gaby, estudaria num colégio, perto de casa.

Os avós entristeceram-se com a notícia.
- Na cidade, a Gaby não respirará um ar tão sadio como o da quinta – lamentou-se a avó Luiza.
- Nem estará perto dos animais, que tanto nos ensinam sobre a vida -acrescentou o avô António.

Mas os pais da Gaby descansaram-nos:
- Não se preocupem! O apartamento para onde vamos morar fica junto ao pinhal. Ali, o ar é muito puro. E, além disso, há belos jardins onde a Gaby poderá brincar com o Tim.
- Mas as saudades... - murmurou a avó Luiza, levando as mãos ao peito.

A Ana e o João abraçaram os pais e prometeram-lhes que, no seu lar, haveria sempre um quarto que lhes estaria reservado, o que os deixou muito satisfeitos.
Durante as férias do Verão, a Gaby e os pais mudaram-se para um moderno apartamento, na cidade.

A Gaby estava encantada! O seu novo quarto era de um cor-de-rosa suavíssimo e a mobília era branca, cheia de flores. Os puxadores das gavetas tinham malmequeres pintados. Na cabeceira da cama, a mãe estampara um ramo de margaridas. E até as portas do armário e a escrivaninha tinham violetas desenhadas! Deitada na cama, antes de dormir, ou, logo pela manhã, ao acordar, a Gaby sentia-se como num jardim.

Em Setembro, começaram as aulas e a Gaby fez um novo amigo, o Tiago. No recreio, brincavam e conversavam muito, e um dia a menina confessou-lhe que, embora gostasse muito da sua nova casa e do colégio, sentia falta dos animais da quinta.

O amigo animou-a:
- Não fiques triste, Gaby. Vem a minha casa, que tenho golfinhos, girafas e elefantes no quintal!
A Gaby riu-se muito. Mas o Tiago insistiu:
- Logo à tarde vais lanchar comigo!

O Tiago morava perto, no oitavo andar de um alto edifício. E, assim, depois da escola, a Gaby foi a casa do amigo, onde a esperava um lanche delicioso.

Terminada a refeição, o Tiago anunciou:
- Agora, vamos ver o meu quintal!

Atravessaram o corredor, entraram no escritório, aproximaram-se da janela e o menino afastou os cortinados.
- Aqui está!

A Gaby nem acreditava no que via: muito próxima, mesmo do outro lado da rua, por detrás das grades de um magnífico parque, existia uma enorme piscina de água azul e brilhante, onde golfinhos nadavam e faziam habilidades. Davam saltos e piruetas espectaculares, mergulhavam com elegância e voltavam à superfície alegremente.
O Tiago apontava:
- Olha! Ali estão as girafas, de longos pescoços! Vês? E, acolá, os elefantes. Há também leões, tigres, pinguins, jacarés e pandas. Todos os animais que possas imaginar!

- Que maravilha! - exclamou a Gaby. - Como é possível teres todos estes animais no teu quintal?

O Tiago riu-se e explicou:
- Não é o meu quintal, Gaby. É o Jardim Zoológico! Tem animais do mundo inteiro e podemos vê-los sempre que quisermos.
A Gaby ficou entusiasmadíssima:
- Quero ir visitar todos os animais!

E, assim, num agradável domingo de Outono, os pais, os avós e o Tiago levaram a Gaby a visitar, pela primeira vez, o Jardim Zoológico.
Passearam, satisfeitos, por entre as árvores e os animais. Divertiram-se com os ursos e os macacos, espantaram-se com os cangurus e os koalas, e admiraram o talento dos golfinhos e das focas.
O Tiago e a Gaby corriam, livremente, pelos carreiros cobertos de folhas douradas, e todos estavam felizes!


Podes ouvir esta história aqui:

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